Será que vou dar conta das necessidades do meu filho? Tenho que suprir todas as necessidades da criança?

Nos primeiros meses de vida, é normal e mesmo esperado que os pais se dediquem de forma quase que exclusiva ao bebê. Mas aos poucos, é importante que ele possa ir desenvolvendo sua autonomia e experimentando doses toleráveis de frustração, o que é bem diferente de abandono.

Vivenciar essa separação em curtos espaços de tempo, estimulada pela mãe e, em grande parte dos casos, pelo pai, propicia uma relação de confiança com a criança que, desta forma, tem a chance de desenvolver seus recursos internos desde pequena… o que a levará a tornar-se um adulto seguro e confiante de si mesmo.

Colocar limites não significa ser duro ou inflexível, mas dizer o que a criança pode ou não fazer, colocando regras que a orientem e protejam de situações em que ela não está totalmente madura para decidir por si própria. Além disso, esse não é um dos primeiros de muitos que irão acontecer pela vida e é melhor que a criança aprenda em casa, em um ambiente seguro e amoroso, a ser capaz de tolerar a frustração.

No entanto, em alguns casos, a criança procura testar a paciência e persistência dos pais e suas regras… para chamar sua atenção.

Leia mais: Quem precisa de limites? Questões subjetivas

Nada a deixa mais feliz que receber atenção e afeto verdadeiros e, dessa forma, é natural que quando não estejam recebendo atenção suficiente, tenham comportamentos para chamar a atenção e manter os pais por perto.

Há crianças que preferem castigos e restrições, mantendo assim, os pais ao seu lado, do que portarem-se bem e os pais estarem ausentes.

Mas dizer não, colocar limites e castigos gera culpa… e o olhar do outro dentro de nós acusa!

É importante ter a clareza que, a longo prazo, a criança que não recebeu limites dentro de casa e foi superprotegida, pode transformar-se em um jovem infantilizado, inseguro, dependente e mal educado… demonstrando uma insatisfação crônica e até mesmo exigindo que os pais realizem todos seus desejos – comportamento tirânico.

Leia mais: 9 passos para impor limites aos filhos

Apresentam, muitas vezes, comportamentos de risco, como o uso abusivo de álcool e outras drogas, a prática de sexo desprotegido, entre outros… na procura desesperada por um limite, ainda que este seja o de seu próprio corpo.

Dizer não, colocar limites, enfrentar chantagens e birras é muito mais difícil e complexo do que realizar aquilo que a criança deseja naquele momento… no entanto, é tão importante para o seu desenvolvimento emocional saudável quanto o amor!

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Raíssa Tebet
Psicóloga clínica, especialista em Neuropsicologia e Psicologia Hospitalar, com ênfase em acompanhamento Pré e Perinatal. Realiza atendimento psicológico individual, grupal e avaliação/reabilitação neuropsicológica. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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