Quem de nós, prezado(a) leitor(a), já não achou insuportável determinada pessoa pelo seu jeito de ser?

Ou até mesmo achou igualmente incômodo um momento “complicado” de uma pessoa que gostamos?

Muitos embates e inimizades são gerados pela intolerância ao diferente. Entretanto, essas diferenças vêm mostrar muito mais do que quem o outro é: mostra, acima de tudo, quem eu sou.

Não é fácil se relacionar com quem bate de frente com meus valores e preferências. Vamos supor que eu sou um vascaíno fanático. Quando encontrar um flamenguista apaixonado e formos discutir sobre futebol, conseguiremos conversar até o momento em que falarmos sobre nossos times. Dificilmente concordaremos em algo, e se não tivermos cuidado nos envolveremos em uma briga.

Da mesma forma, se eu tiver um viés ideológico socialista, ao debater com um liberal poderei gerar uma relação nada saudável para ambos. Da mesma forma, se uma pessoa pela qual tenho admiração ou afeto (seja uma namorada, um grande amigo, parentes, um ídolo…) demonstra uma faceta insuportável para mim, essa pessoa já desce na minha “escala de idolatria”.

Quando esse outro, distinto de mim, aparece em minha vida, ele me diz de que forma eu lido com o diferente. A diferença em si, não é o mais fundamental na existência. Se hoje sou vascaíno, amanhã posso não mais ligar para futebol. Se hoje acredito somente no livre mercado, amanhã posso me decepcionar com ele e abrir minha visão para um olhar diferente.

O que nos diferencia hoje pode mudar amanhã, graças à maturidade advinda das experiências da vida. Com a diferença, porém, nós sempre teremos de lidar, e a forma como me relaciono com ela hoje, essa sim mostra algo de grande importância para minha paz.

Quando estou diante da pessoa que discorda de mim e eu aceito o jeito dela de ver, me interessando por aprender com o que ela tem a dizer, certamente consigo perceber que há em mim um olhar inclusivo. Ao incluir a diferença, mesmo que não haja concordância, dificilmente o outro será insuportável ou meu inimigo (pelo menos de minha parte). Mas se eu reajo com desdém ou com raiva diante de quem discorda de mim, essa será minha postura diante de tudo que não vejo como o ideal.

Isso significa viver uma vida repleta de incômodos e muito apego pelas pessoas que pensam como eu. E da mesma forma, ao perceber uma faceta divergente nas pessoas nas quais me apego, terei grandes decepções.

O outro, em sua diferença, me convida, a cada momento, a rever minha tolerância. Mostram assim, muito mais do que seu ponto de vista. As pessoas diferentes de mim são tal qual um espelho a mostrar quão em paz eu consigo conviver e construir minha existência.

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Vitor de Moraes Silva
Psicólogo, reside no Rio de Janeiro e é colunista do site Fãs da Psicanálise.


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