Uma das angústias de muitas pessoas que estão vivendo um relacionamento duradouro é a sensação de que antes as coisas eram muito melhores, a relação era mais divertida e apaixonada. Mas, agora, a vida a dois parece que ficou morna, sem aquela alegria do início da relação.

É sempre bom lembrar que no início do relacionamento, o casal ainda está se conhecendo e a expectativa de novas descobertas costuma provocar novos sentimentos, tornando a relação mais excitante e divertida. Outro ponto importante é o fato de que nessa fase o casal se vê menos, o que é um afrodisíaco para a paixão, juntando-se ao fato de que ambos ainda não se conhecem tão bem. É a fase da paixão e das idealizações. E quando estamos apaixonados, projetamos o nosso ideal de amor no outro e passamos a viver em simbiose.

À medida que o relacionamento vai se estruturando, surgem as dificuldades naturais da vida, pois nem sempre conseguimos realizar todos os nossos sonhos, isso vale para qualquer área da vida. Contudo, as pessoas muitas vezes, acabam transferindo essas dificuldades para o relacionamento. Essa é a fase que chamamos de luto da paixão, é quando passamos a ver o outro como ele realmente é, e não como o idealizamos.

Algumas pesquisas apontam que a paixão dura em média dois anos, outras falam em quatro anos. Mas, a realidade é que ela um dia termina.

Após essa fase, se a relação persiste, o casal entra em um novo ciclo que é o nascimento do amor. É uma fase mais tranquila com menos adrenalina, mas não necessariamente morna, porque o amor também transita, entre o amor erótico e o amor fraterno. A diferença é que agora será preciso maior motivação, por parte de ambos os lados, para manter a vida a dois estimulante.

É importante ter claro que não é só a relação do casal que muda com o tempo, todas as áreas da vida mudam. As pessoas que já têm essa compreensão costumam ter uma visão mais realista sobre os relacionamentos e buscam com frequência, reciclar a relação.

À medida que o tempo passa, é preciso muita cumplicidade e muita conversa para que os envolvidos possam enfrentar juntos, os desafios da vida, estudos, carreira, compra de um imóvel. É importante levar em conta as diferentes fases do relacionamento, o nascimento de um filho, por exemplo, é uma fase em que o casal é obrigado a se reorganizar, inclusive financeiramente.

Nesse novo ciclo da vida conjugal, a energia do casal passa a ser direcionada para outras situações e o sexo se torna menos frequente, mas a qualidade do relacionamento continua em alta. Contudo, algumas pessoas se iludem, pensando que a relação vai ser sempre excitante sem que elas tenham que fazer nada. E quando elas se dão conta, percebem que não souberam lidar com o excesso de compromissos, pois acabaram deixando a intimidade sexual de lado. Nessa hora, apostar na inteligência sexual, vai ajudar o casal a encontrar novas formas de interação sexual.

Manutenção da vida conjugal: afeto, erotismo e sensibilidade

Considerando as pesquisas que defendem a teoria das múltiplas inteligências, a inteligência sexual é uma parte da nossa capacidade intelectual e um aspecto importante para o nosso autodesenvolvimento, a nossa autoestima e a qualidade de vida afetiva-sexual.A inteligência sexual pressupõe o desenvolvimento de três aspectos básicos: primeiro, o autoconhecimento.

É preciso entender os próprios sentimentos, emoções e desejos mais íntimos. Segundo, aprender sobre a sexualidade (que não é sinônimo de sexo), a partir de fontes que tenham embasamento científico para desmistificar mitos e crenças limitantes. E finalmente, falar com o(a) parceiro(a) sobre suas preferências, sempre respeitando os seus limites. Um aprendizado que depende da nossa vontade.

Por outro lado, uma boa dica para o estímulo do afeto é perguntar a quem você ama, que atitudes suas fazem ela se sentir amada, pois cada um de nós se sente amado com estímulos diferentes. Sabendo disso devemos buscar com frequência, estimular esses aspectos na vida diária. Manter-se automotivado(a) a fazer a sua parte é o segredo para manter a vida a dois mais estimulante, feliz e duradoura.

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Carmen Janssen
Psicanalista, Especialista em Sexualidade Humana. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



2 COMENTÁRIOS

  1. É justamente isso, depois que a paixão vai embora ai sim vem a responsabilidade, a ficha “cai”, é a hora de realmente ver o que vai dar o relacionamento, mas isso tem que vir sendo construído desde o começo, para saber se vale a pena ou não construir uma vida, uma família com a pessoa… Não é fácil, mas vale a pena!

  2. O que torna um relacionamento sólido, além da maturidade com quê os dois lados encaram a vida a dois, é a parceria e cumplicidade; coisa que não se encontra em qualquer pessoa. Saber lidar com as dificuldades, valorizar os pequenos gestos de afeto e carinho também ajudam na caminhada a dois. E claro, não deixar que o desrespeito se aposse da relação, mandando embora o apetite sexual ou o amor, que está sempre em fase de construção.

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