As separações são muitas vezes sinónimo de um processo doloroso.

Semelhante ao luto, a perda ou afastamento de alguém pelo qual estamos vinculados emocionalmente leva a uma reestruturação em várias vertentes da nossa vida, obrigando o indivíduo a preencher lacunas ao nível mental, físico e social anteriormente preenchidas pelo seu par.

Dependendo dos motivos da separação, da duração da relação, dos atritos criados e acima de tudo do vínculo emocional ainda presente, uma separação pode ser uma situação traumática para o indivíduo com possíveis consequências emocionais relevantes para o seu futuro.

A separação deve ser assim encarada como um processo de aprendizagem, vocacionado para o desenvolvimento mental saudável do indivíduo, para que este esteja ciente e preparado para a relação seguinte, não tentando colmatar as falhas emocionais da anterior.

Este processo, sem dúvida duro, é uma oportunidade de crescimento pessoal e deve ser encarado pelo indivíduo nesse sentido.

Muitas vezes procuramos preencher lacunas na nossa própria existência com factores externos.

Da mesma maneira que algumas pessoas quando insatisfeitas vão às compras, muitas relações se iniciam porque o indivíduo sente um vazio que procura preencher com a presença de outro.

Esse mecanismo é, à partida, um défice que irá condicionar toda relação e os próprios indivíduos, já que ambos dependem um do outro para a sua própria felicidade interior – e a partir do momento em que dependemos de alguém para a nossa própria felicidade, tendemos a não ser genuinos nas nossas acções e nos nossos comportamentos, já que em muitos casos, deixamos de ser nós próprios para tentarmos ser alguém que a outra pessoa gosta.

Esta é em muitos dos casos a base para uma relação disfuncional que terá obviamente uma maior tendência em chegar ao fim e será causa de sofrimento enquanto durar.

Quer queiramos quer não, devemos ser absolutamente felizes connosco próprios para conseguirmos ser felizes com alguém ao nosso lado. Só assim essa pessoa nos poderá transcender e não limitar.

É importante realçar que não se trata de nos tornarmos egoistas ou não investirmos na relação. Muito pelo contrário, trata-se de estarmos preparados para conseguirmos compreender e apoiar o outro o melhor possível. E não poderemos fazê-lo totalmente se tentarmos colmatar os nossos próprios problemas com o nosso par.

Por isso, se terminou a sua relação à pouco tempo, aproveite e encare esse facto como uma excelente oportunidade de crescimento. Existem no mundo neste momento milhões de

pessoas que adorariam estar na sua situação para se poderem reencontrar com eles mesmos, mas que se mantém em relações disfuncionais.

Páre de se castigar com pensamentos derrotistas e de arrependimento sobre o que aconteceu e use essa dor, a solidão, a carência afectiva que actualmente atravessa como um catalizador para crescer.

Se a relação terminou é porque estava a causar sofrimento, encaremos os factos.

Só quando voltar a saber quem realmente é, é que poderá ter a certeza de quem quer ter ao seu lado.

*Texto publicado na língua de origem do autor

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João Fernando Martins
Psicólogo Clínico e Forense Membro efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses Licenciado em Psicologia, Mestre em Medicina Legal, Dirige atualmente o seu gabinete de psicologia, colaborando também com outras 6 clínicas no Porto. Dedica-se também à formação e ensino, tendo sido recorrentemente convidado como Orador e Palestrante em várias universidades da zona norte de Portugal. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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