A família é considerada uma instituição social fundamental para o crescimento e desenvolvimento saudável dos seres humanos nos primeiros anos de vida, até que atinjam autonomia suficiente para o autocuidado.

Entretanto, o discurso da importância e responsabilidade familiar, somado aos reais perigos da vida fora do ninho, são elementos que contribuem para que alguns cuidadores caiam no erro da superproteção. Algumas famílias acabam colocando suas crianças e adolescentes em uma “bolha” de proteção na tentativa de evitar sofrimentos.

A proteção é função vital familiar, contudo a superproteção pode ser um problema. É preciso que a criança aprenda a enfrentar as dificuldades do viver desde sempre. As emoções, todas elas, inclusive o medo, a tristeza, a frustração, são fundamentais para o desenvolvimento emocional e parte indispensável das relações e vivências humanas. Quando a superproteção familiar priva a criança de experienciá-las, está privando a criança de viver, de aprender lições valiosas de como superar seus medos, tristezas, perdas, frustrações, angústias, etc.

Pais superprotetores retiram de seus filhos a possibilidade de significar suas experiências, aprender com seus erros, o que poderá interferir negativamente no desenvolvimento emocional e criativo da criança, dificultando sua autonomia quando adulto.

Com afeto, carinho, atenção, parceria e acolhimento a família deve apresentar o mundo, o que há de bom e também o que há de ruim. A felicidade, o amor, devem ser aproveitados. A tristeza, os erros e as frustrações são oportunidades para mudança e crescimento, desde que exista a possibilidade de significação.

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Já dizia Rubem Alves: “A felicidade é um dom que deve ser simplesmente gozado. Ela se basta. Ela não cria. Não produz pérolas. São os que sofrem que produzem a beleza, para parar de sofrer”.

O mundo é real e precisa ser vivido enquanto real. A tentativa de deixa-lo ideal, sem frustrações, sem medos, sem dores, vai ao oposto da função familiar que é, como compreendia Winnicott, proporcionar ao jovem a gradativa independência até o ponto de sobreviver a partir da própria possibilidade de cuidado e do sentimento genuíno de ser capaz também sozinho. Para ser capaz ele precisa antes experimentar, na proteção da família e não na superproteção.

A proteção faz crescer, pois permite que o filho tenha experiências e se algo der errado, a família estará lá, atenta e amorosa para acolher e orientar. A superproteção está mais relacionada a destruição, pois impossibilita que o filho aprenda com as próprias vivências, logo, dificulta seu desenvolvimento emocional.

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João Paulo Zerbinati
Psicólogo Clínico de Orientação Psicanalítica, atendendo em Itápolis-SP e Ribeirão Preto-SP. Graduado pela PUC-Campinas (2014). Mestrando pela Faculdade de Ciências e Letras, UNESP-Araraquara (2017). Membro do grupo de pesquisa SexualidadeVida USP\CNPq. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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