Já faz um ano que o assunto tomou conta dos nossos noticiários. Surgiu um tal vírus, desconhecido até então. Anônimo no começo, do outro lado do mundo e uma enganosa sensação de que era mais um assunto passageiro.

01 vítima, 10, 100, e o assunto não seria brevemente esquecido.

Houve a expansão da contaminação, apesar da dúvida que pairava sobre a letalidade ou a gravidade do que mais tarde se tornaria uma catástrofe de proporções mundiais.

Um mal que não respeitou fronteiras, nem as vidas sobre as quais ele se impôs. O mundo se dobrou diante dessa nova força, impiedosa e sem compaixão.

A incredulidade deu lugar à preocupação, até que o assunto assumiu todas as nossas conversas. Depois, veio a consternação quando nossos primeiros conhecidos, parentes e amigos não conseguiram escapar da contaminação.

Vieram nossas primeiras vítimas; veio o choque; o silêncio, o luto, a dolorosa sensação de impotência. Empresas falidas, projetos abandonados, portões trancados, casas fechadas. Ficamos em casa, enquanto quase tudo foi adiado ou replanejado.

Alguns abraços ficaram para depois. Outros foram suspensos, para sempre, pois não será mais possível que aconteça. A dor ficou, fica, ficará.

Não há mais o mesmo mundo de antes. Nada será igual. A história contada ao futuro causará surpresa e questionará como foi possível atravessarmos um tempo tão fúnebre e doloroso.

Muita gente não voltará para casa, não votará ao trabalho, não verá os filhos crescerem, não mimará seus netos. Muitos casamentos não acontecerão, formaturas não serão possíveis, aniversários jamais voltarão a ser celebrados.

02 MILHÕES: quando chegarmos a esse marco cruel, não serão apenas números: serão nomes, amores, filhos, vizinhos, maridos e esposas, amigos. Serão pessoas queridas, que tinham planos e que foram levados sem a chance de se despedirem, sem a chance de dar ou receber um último abraço.

Para quem ficou, chegou a difícil hora de chorar pelas vidas ceifadas, com a consciência de que a fragilidade humana ficou terrivelmente exposta.

Não há quem seja imune, não há quem seja melhor, nem mais importante. O vírus colocou a humanidade inteira no mesmo patamar.

Seguiremos, inseguros e temerosos. Esperamos pela vacina, por piedade, pelo recomeço.

Não seremos mais os mesmos. Mas estamos tendo a chance de sermos melhores, mais humanos, mais conscientes, mais compassivos. Aprendamos a dividir, a ajudar, a socorrer. Valorizemos a vida, preciosa e rara. Valorizemo-nos!

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Alessandra Piassarollo
Administradora por profissão, decidiu administrar a própria casa e o cuidado com suas duas filhas, frutos de um casamento feliz. Observadora do comportamento alheio, usa a escrita como forma de expressar as interpretações que faz do mundo à sua volta. Mantém acessa a esperança nas pessoas e em dias melhores, sempre! É colunista do site Fãs da Psicanálise.

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