A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a depressão se tornará a doença mais comum do mundo nos próximos 20 anos. Atualmente, ela afeta mais 350 milhões de pessoas de todas as idades e é causa de mais de 850 mil suicídios por ano. Diante de números tão altos, especialistas da área de saúde reforçam a necessidade de estar atento aos principais fatores que podem desencadear o problema.

Com depressão não se brinca, não se despreza, é um transtorno grave que requer a máxima atenção. Acontece que ainda hoje há quem pense que as pessoas deprimidas são fracas e que a doença é um capricho, falta de trabalho pesado ou extravagância.

Depressão não é algo que se espere passar, ou que se cure sozinha. Não se “cura sozinha”. Ao contrário, se uma depressão não é tratada os seus sintomas podem avançar e os efeitos da falta de tratamento são progressivos e a pessoa ficará cada vez pior, podendo levar a um desgaste mental progressivo e doenças físicas sérias, até a própria morte.

É sabido que o modo como uma pessoa vive é um fator muito importante para acumular ou sanar estados de depressão. Muitas coisas que fazemos no dia a dia, como um hábito corriqueiro, influenciam de maneira negativa ou positiva essa situação. Algumas coisas que fazemos podem influenciar para que a depressão seja sentida com mais facilidade, enquanto que existem outros que permitem que os sintomas sejam reduzidos e melhoram o seu modo de encarar a vida com mais leveza.

Neste texto falaremos sobre cinco desses hábitos que aumentam o risco de depressão.

1. Estresse
Esse companheiro indesejável da rotina corrida pode deixar o corpo de portas abertas para a depressão em pessoas que já tem tendência. “Parte das causas de depressão vem de pressões ambientais, jornada de trabalho muito extensa ou insatisfação com o emprego, congestionamento no trânsito, problemas financeiros, falta de emprego, cobranças pessoais e frustração”, exemplifica a psicanalista Priscila Gasparini, da USP.

Um estudo que comprova a relação foi publicado na revista científica PLoS ONE, feito por pesquisadores do Finnish Institute of Occupational Health, na Finlândia, e da University College London, na Inglaterra, acompanhou 1.626 homens e 497 mulheres durante cinco anos. Nos resultados, as pessoas analisadas que trabalhavam 11 horas ou mais por dia tinham um risco até 2,5 maior de ter depressão do que aquelas que tinham um expediente de oito horas diárias. Um dos fatores que podem ter influenciado esse número é o estresse de ficar grande parte do dia trabalhando.

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2. Vício em internet
Em um estudo feito pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra, acompanhando um total de 1.319 de casos de pessoas entre 16 e 51 anos, os psicólogos perceberam que aqueles que ficavam horas e horas na frente de um computador tinham cinco vezes mais chances de ter depressão do que os que utilizavam a internet normalmente. Os especialistas lembram, entretanto, que não somente a internet – mas qualquer vício que isole a pessoa de outras atividades cotidianas – pode ser um fator que aumenta a predisposição à doença, como se enterrar em livros ou fazer muitas compras.

É muito fácil a gente ficar mais tempo do que o planejado usando a internet e, ao gastar o seu tempo com isso, você deixa de fazer outras atividades, como dormir direito, praticar exercícios ou interagir com outras pessoas no dia a dia.

3. Dormir mal
Um estudo publicado na revista científica Sleep teve a análise de mais de dez mil pessoas com idade média de 52 anos. Os pesquisadores – da Cleveland Clinic Sleep Disordes Center (EUA) – observaram que as pessoas com sono considerado normal (de seis a nove horas por noite) tiveram índices bem mais altos de qualidade de vida e níveis mais baixos de depressão, quando comparadas às pessoas que dormiam muito ou pouco.

Nada compensa um sono reparador. Enquanto dormimos, o cérebro dispõe de um tempo para se reorganizar e filtrar as informações. Dormir bem faz parte da higiene mental, mas também da boa saúde.

Passar a noite “em claro” ou dormir mal afeta o nosso humor. Uma das primeiras manifestações é uma hipersensibilidade, que facilmente se transforma em depressão. Ela se expressa através do desânimo, irritabilidade e falta de energia.

O corpo precisa descansar direito para permanecer em equilíbrio. O sono inadequado é tanto causa quanto consequência da depressão. Se a pessoa apresentar uma melhora da depressão, mas continuar mantendo o sono ruim, terá um risco muito grande de desenvolver um novo episódio depressivo. Por isso, dormir bem faz toda a diferença na prevenção e no tratamento.

4. Solidão
Um estudo desenvolvido pelo Finnish Institute of Occupational Health, na Finlândia, selecionou 3.741 homens e mulheres com idade média de 44 anos que foram acompanhados por oito anos. Os resultados mostraram que os indivíduos que moravam sozinhos tinham até 80% mais chance de ter depressão do que aqueles que viviam com uma ou mais pessoas, tanto amigos quanto parentes. A solidão deve ser evitada em pessoas com tendência a ter depressão. O ser humano não consegue viver sozinho, sem se relacionar com outros – isso é indicado em diversos estudos.

5. Reclamar demais
Uma pessoa que vive lamentando a vida que tem e acredita que nada vai dar certo pode estar com uma mania a ponto de na sua saúde. A depressão está muito relacionada ao mau humor, pessimismo e baixa autoestima.

Um estudo publicado na revista científica Psychological Science, da Association for Psychological Science mostra que parte da razão pela qual as pessoas desenvolvem a depressão a partir de um evento negativo (como divórcio ou morte de um parente) está na memória de trabalho – também chamada de memória de curto prazo – que insiste em ruminar pensamentos negativos e não permite que o depressivo volte a sua atenção para outra coisa. Os pesquisadores da University of Miami e Stanford University, Estados Unidos, fizeram os participantes memorizar palavras diversas. Eles observaram que as pessoas com depressão tiveram mais problemas em reordenar as palavras em sua cabeça, principalmente quando elas tinham conotação negativa, como “morte” ou “tristeza“.

**A sua vida pode não estar do jeitinho que você sonhou ou então apresentar picos de tristeza e dificuldades. Mas saiba, todos nos sentimos assim. Acontece que a frequência de pensamentos negativos, tristeza e exaustão podem indicar que o problema já foi longe demais. Por isso, a importância de se cuidar e de se proteger, para que esses sentimentos negativos não se instalem de maneira tão cruel em você e lhe afetem de modo desastroso emocionalmente. Para prevenir a depressão, o melhor é manter hábitos saudáveis, estar atenta e descartar os hábitos nocivos.

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