Sônia Maria dos Santos Araújo é bibliotecária, especialista em gestão de pessoas e mestre em ciências da educação com o tema cyberbullying. Reside em Palmas, Tocantins, e atua como palestrante e no desenvolvimento de projetos com o referido tema.

Seus principais passatempos são a leitura, a música (Belchior, Elis Regina, Mercedes Sousa), bem como as caminhadas diárias, as aulas de pilates e ver as araras.

“Decidi que, como educadora, precisava atuar no sentido de coibir tais atitudes, pois o sofrimento da vítima é muito grande”.

Boa Leitura!

Escritora Sônia Maria, conte-nos, o que é cyberbullying?

Sônia Maria – O cyberbullying começa com um boato nas redes sociais até chegar a uma perseguição que ultrapassa o mundo dos teclados e vai para o universo físico, numa perseguição sem fim. A vítima tem sua imagem denegrida, via comentários dos autores e espectadores, nas 24 horas do dia e nos 7 dias da semana. Essa prática não se restringe ao ambiente escolar e causa muito medo, pois a vítima não sabe como, quando ou de quem se defender.

É uma evolução das antigas pichações, feitas nas paredes das escolas, que após lidas, causavam risos e comentários entre os estudantes, mas o acontecido ficava entre eles e logo caía no esquecimento. Hoje, não! Qualquer acontecimento é filmado, alterado e postado na internet e redes sociais. Dentre as modalidade de cyberbullying existem o happyslapping (bofetada feliz); o sexting (sexo + texto), que acontece quando uma relação amorosa termina; e o cyberstalking (ciberperseguição) no qual o autor cria perfis falsos para perseguir a vítima via difamação, ameaças e falsas acusações. O cyberbullying é muito cruel, pois ataca o que há de mais importante na vida do adolescente: a sua imagem.

O que a motivou a escrever o livro “Cyberbullying: palavras e imagens que trazem sofrimento!”?

Sônia Maria – O principal motivo foi quando conheci uma vítima de cyberbullying. Era um adolescente que trabalhava comigo como bolsista. Ele sempre contava algo da escola, mas não naquela tarde. Percebi que seus olhos estavam avermelhados, era visível que havia chorado. No final do expediente, perguntei a ele se estava tudo bem. Então ele me falou dos problemas familiares e disse que os colegas haviam ampliado e divulgado sua foto ressaltando as espinhas de seu rosto. Certamente que os problemas familiares o incomodavam, mas a grande preocupação ou tristeza era ser uma vítima de cyberbullying. Sua maior dor estava na atitude dos colegas. Decidi que, como educadora, precisava atuar no sentido de coibir tais atitudes, pois o sofrimento da vítima é muito grande.

Leia Mais: Bullying: onde termina a brincadeira e começa a agressão?

Como os pais podem ajudar seus filhos?

Sônia Maria – Há algumas frases que os pais dizem aos filhos. Algumas os levam a perceber o apoio dos pais ao ouvir frases carinhosas, que demonstram compreensão, paciência e amor.

– Calma, tudo vai dar certo!

– Não tem problema, todo mundo erra!

– Você consegue!

– Vamos tentar novamente!

– Na sua idade eu também fazia assim!

– Fique tranquilo, estou sempre ao seu lado!

Noutras vezes, elas demonstram frustrações, exigências, anseios e a falta de respeito dos pais e fazem os adolescentes se sentirem perdidos diante de frases “corriqueiras” como:

– Será que você nunca vai aprender?

– Você me mata de vergonha!

– Não sei mais o que fazer com você!

– Você não é mais uma criança!

– Eu já lhe falei mil vezes para não fazer assim!

– Não aguento mais você!

Estas palavras ditas “sem pensar” causam transtornos e grandes consequências na vida do adolescente, pois toda e qualquer palavra provoca transformação.

 

Leia Mais: A falsa tristeza da internet

 

Você comenta que gosta de conversar com os adolescentes, como uma forma de conhecer as diferenças do mundo deles para o mundo adulto. Conte-nos, quais as principais observações identificadas?

Sônia Maria – Os sentimentos dos adolescentes (alegria, prazer, dor, angústia, tristeza, raiva, medo) são sempre verdadeiros e profundos, não há o famoso “faz de conta”. O pertencimento, isto é, a dor ao ter que decidir pela companhia dos amigos e não dos familiares. O adolescente sente-se perdido entre a necessidade de pertencer a um grupo e o distanciar de sua família.

O ficar: o adolescente não namora, ele “fica”. Esse “ficar” transmite a ideia de um relacionamento descompromissado ou sem valor. Mas cometemos um grande engano ao pensar assim. Os sentimentos do adolescente podem ser de curta duração, passageiros; mas enquanto durarem, são o que há de mais verdadeiro e importante na sua vida.

Conectado: sempre conectado com o mundo, via redes sociais e internet, o adolescente é capaz de conversar com inúmeros “amigos” ao mesmo tempo ou navegar por diversas telas, o que vários adultos não conseguem fazer.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Que mensagem você deixa?

Sônia Maria – Peço a todos que respeitem os sentimentos dos adolescentes. Eles estão vivendo uma fase de mudança, pertencimento e afirmação. Aos pais, que estejam ao lado, sejam amigos, façam menos cobranças e conheçam bem seus filhos. À escola, que se atualize e trabalhe o cyberbullying em sala de aula e com a família. Da sociedade, espero que consiga ver o cyberbullying como um problema social, portanto diz respeito a todos. Esse tripé, família-escola-sociedade de mãos dadas, encontrará solução para essa prática que traz tanto mal.

(Autora: Shirley M. Cavalcante)
(Fonte: portalliterario)

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