Ela vem chegando muitas vezes em meio a pensamentos soltos e recheados de achismos. Não tem hora certa para aparecer, mas quando chega muitas vezes, consome boa parte da sua energia. Por vezes é repetitiva, os dias passam e ela fica dando voltas no mesmo assunto… Sabe de quem eu estou falando? Sentimento de culpa!

É, quem nunca sentiu, em algum momento da vida sentirá, pois (com exceção dos psicopatas) a culpa é um dos sentimentos que nos diferencia dos outros animais. E ela foi um importante aliado na evolução da nossa espécie. Mas, assim como os remédios, a culpa tem medida certa para ser usada, ou perde a sua função de agregar e passa a nos trazer prejuízos na saúde psíquica e por vezes até física.

Quando pensamos em algo que tenhamos feito e que não teve um bom resultado, seja para nós mesmos, para outra pessoa, ou para ambos, é quase que automático nos sentirmos culpados. Mas o que devemos fazer com esse sentimento? Podemos fazer como o Hardy, personagem do desenho animado que tinha como frase icônica: “Oh vida, oh céus, oh azar… isso não vai dar certo!”, mas, com esse tipo de postura dificilmente teremos algum benefício, visto que não há qualquer movimento para melhorar a questão e ficar ruminando o problema sem pensar em estratégias para melhora ou solução é uma péssima saída.

Ou podemos nos posicionar diante da questão e refletirmos sobre a ação tomada. Somente através desse tipo de postura é possível resgatar a nós mesmos e a pessoa a quem magoamos, mesmo que tenha sido “sem querer querendo”, parafraseando o Chaves. Se foi por uma briga, por exemplo, podemos pensar sobre qual foi de fato a razão para a discussão, e quais as possibilidades que temos de rever os pontos de conflito de modo que fique solucionado o problema, ou ainda que isso não seja possível, que você encontre uma forma positiva de lidar com esse desafio.

Outro ponto importante de reflexão é: Será que a culpa é realmente minha? Será que a culpa é de fato do outro? Como diz o velho ditado “quando um não quer, dois não brigam!”, portanto, reflita sua postura e a do seu parceiro, os conflitos fazem parte de qualquer relacionamento, mas jogar a responsabilidade somente para si mesmo ou para o outro é o pior caminho que se pode escolher se você quer seguir a diante com a relação. E essas questões estão muito ligadas à sua autoestima, logo, se você anda se sentindo meio para baixo, acha que não tem condições de se sentir inteiro sem a validação do outro e esse outro percebe a sua fragilidade e reafirma esse sentimento, cuidado, você pode estar em um relacionamento abusivo!

Agora se você é do tipo que acha que faz tudo certo e que só o outro erra na relação, bom você pode ser o abusador nessa relação. Talvez a pessoa que esteja do seu lado hoje não seja a mesma que vai ficar contigo até o final da vida, assim como acontece nos contos fadas, e se for assim, tudo bem. Seja inteiro, afinal de contas nem toda a panela tem tampa (ou o que seria das nossas vidas sem a boa e velha frigideira?!).

Assuma a parcela de erro que lhe cabe, entenda como o fato magoou o outro e busque soluções para resolver os desafios que as relações nos propõem. Esse é o único caminho, ou pelo menos o único caminho saudável para você se relacionar bem com seu parceiro e principalmente consigo mesmo. Portanto, aprenda com os erros do passado, aproveite as oportunidades de hoje e planeje boas ações, sempre com aquela dose de esperança de dias melhores para o futuro.

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Camila Ribeiro Alencar
Psicóloga. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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