Quando se pensa em amor romântico o que lhe vem à mente? Talvez certa ideia de almas gêmeas, completude, amor eterno, felicidade constante. Algo como nos contos de fadas? Porém, estamos em pleno século XXI, como seria a adaptação do amor romântico aos dias atuais?

O tempo trouxe grandes mudanças para a sociedade em geral, assim se vive uma ascensão da ideologia individualista e o amor passa a ser encarado de outra forma. Ainda há a valorização do amor e da família, porém se vive grande liberdade, competitividade, vaidade e tudo isso num ambiente capitalista.

Vivemos uma cultura narcísica, dificuldade em confiar, estabelecer vínculos, entre outros conflitos psíquicos que mudaram o modo de amar de cada ser. Se cada um ama a partir do modelo em que foi amado pelos pais, isso vai se reproduzindo e vai ficando cada vez mais distante dos contos de fadas.

Pensar num amor como nos contos de fadas reduz a mulher a um papel de princesa que não lhe cabe mais, pois hoje a questão dos papéis nas relações se mostra de outra forma. Outra questão seria financeira, na qual plebeias conhecem príncipes e se tornam princesas, mostrando certa dependência e um homem provedor, o que hoje também caiu por terra, além de diversas formas de pensar numa relação amorosa.

O conceito de “amor ideal” foi criado pela cultura ocidental; mesmo assim, perseguimos o inatingível, nos frustramos e nos sentimos inadequados quando não o alcançamos. Esse conceito parece dar as pessoas uma certa esperança de dias melhores, porém a realidade mostra o contrário e a cada dia mais cresce o número de divórcios no país. “Até que a morte nos separe?” Talvez antes.

Há não muitos anos atrás era belo se pensar num vinculo altruísta, viver sacrifícios pelo amor a fim de manter a relação. Hoje em dia os olhares são outros, afinal a tendência é cada vez mais hedonista e egoísta, buscando prazeres e ascensões em múltiplas esferas da vida, como profissional.

Pensar num amor extremamente idealizado é visto como patológico, afinal há uma negação da realidade e dificuldade em enxergar e integrar aquele par, como um ser com qualidades e defeitos. No inicio é comum que haja essa magia da paixão, porém há que se adequar com o real ser, para assim perceber se é mesmo um amor baseado na parceria e companheirismo, não em mera ilusão. O casal deve tem ambição de crescer juntos de forma saudável, se reinventar a cada dia, para que o tempo não leve junto com ele os sentimentos.

Até quando vamos viver pensar em mitos como a metade da laranja?

É fácil constatar que o amor idealizado está fadado a frustrações, porém, muitas pessoas ainda crescem com esse ideal e sonho, conscientemente ou não. O mito do amor é baseado numa idealização, enxergando características inexistentes, tentando forçosamente encaixar aquele ser em padrões irreais. Amor não supre as necessidades, não cura problemas, relacionamentos não são para salvar ninguém de si mesmo. Pensar num par como um salvador não seria delegar ao outro uma responsabilidade extrema?

Quando esse amor não é encontrado, a idade chega e você ainda não amou assim, a sociedade te julga de algum modo ou o próprio ser sente certo fracasso, buscando respostas para isso. Se culpa a si mesmo, aos outros, aos astros e inúmeras formas que denotam uma profunda dor psíquica relacionada ao vazio, como se um outro fosse preenche-lo e isso é ilusão.

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Mariana Pavani
Psicóloga, estudante de Psicanálise. Colunista do site Fãs da Psicanálise.

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