Quem nunca ouviu falar do tão famoso poema de Carlos Drummond de Andrade “No meio do caminho”? Muito mais do que um clássico de nossa literatura esse texto nos mostra uma mensagem bem importante sobre a forma como lidamos com os obstáculos que a vida nos impõe. Em nossas vidas encontramos certamente muitas “pedras”, mas o que fazer com elas? Será que basta tentarmos tirá-las de nossa estrada para seguir, ou será que em alguns momentos é necessário conviver com algumas delas e fazer disso instrumentos para nosso crescimento pessoal?

Diante desse cenário encontro normalmente três perfis de comportamento: Os que carregam as pedras, os que retiram as pedras e os que selecionam as pedras que são necessárias para sua caminhada. Em qual desses perfis você se encontra? Já parou para pensar sobre isso?

Os “carregadores de pedras” são normalmente pessoas muito responsáveis, zelosas e em certo grau acumuladoras, pois não deixam nada para trás. Esse comportamento lhes traz alguns benefícios porque acumulam conhecimentos. Mas esse excesso pode acabar por vezes deixando-os sobrecarregados, pois a caminhada da vida é longa e acaba exigindo cada vez mais de nós. Além de carregar as próprias pedras, acabam pegando ainda as das pessoas próximas, o que pode trazer muito problemas.

Temos ainda os “destruidores de pedras”, essas pessoas normalmente são tidas como “desapegadas” ou “sem juízo” e acabam não criando responsabilidades consigo e com quem está próximo. Sempre que encontram alguma dificuldade delegam para que outra pessoa resolva, ou simplesmente fogem das situações de conflito. Esse tipo de comportamento vai muito além da vida amorosa, perpassa a vida profissional e familiar. O grande problema desse comportamento é que ele funciona de modo infantil, e não somos crianças a vida toda, não é mesmo? É preciso aprender a perceber aquilo que nos cabe e nos responsabilizarmos por nossas ações.

O terceiro grupo de “selecionadores de pedras” é o mais equilibrado dos três, entende que é preciso carregar sim algumas pedras, afinal de contas, elas serão muitas vezes a base de nosso crescimento pessoal. Mas entende também que acumular para si todos os obstáculos que aparecem não nos deixa sair do lugar. Então, seleciona as pedras que lhe cabem e as demais deixa para que seus respectivos donos as apanhem.

Assim como no poema encontraremos muitas pedras ao longo do nosso caminho, mas não se permita ficar preso em meio a tanto peso, e também se deixe viver e aprender com as histórias da sua própria vida! A caminhada de cada um é única e você pode fazer dela uma estrada especial, ainda que chova, que hajam pedras, que em alguns momentos você veja como escolhas difíceis para serem tomadas, certamente encontrará em outros momentos belas paisagens de tirar o fôlego! Procure ser sempre a melhor versão de si mesmo, e certamente sua vida será melhor.

*Título Original: A pedra e o caminho

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Camila Ribeiro Alencar
Psicóloga. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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