Sabe aquelas noites em que você deita na cama e mil pensamentos vagueiam pela sua mente? Quando você vira de uma lado para o outro na cama preocupado com os prazos que precisa cumprir? Isso são manifestações da Síndrome do Pensamento Acelerado.

O que é?
A Síndrome do Pensamento Acelerado atinge mais de 80% dos indivíduos de todas as idades. Afeta, principalmente, pessoas adultas que trabalham em locais que exigem constante atenção, nos quais é preciso lidar com metas e prazos e que estão aliados a uma série de responsabilidades e compromissos, como médicos, professores e jornalistas. A Síndrome do Pensamento Acelerado é caracterizada por pensamentos recorrentes principalmente durante a noite e causam perturbação do sono. É como se o cérebro superativado gritasse: “Ei, tenho várias ideias geniais! Você não pode dormir se não irá esquecê-las.”

Isso ocorre porque uma série de pensamentos estão rondando a mente e é preciso convencê-los de que não é necessário se preocupar com eles naquele momento, nem manter sua atenção fixa neles. Não trata apenas do conteúdo do pensamento, mas, principalmente, do ritmo que eles assumem. Um logo é substituído pelo próximo, sem que eles sejam devidamente processados, o que impossibilita, consequentemente, o descanso emocional e psíquico. O resultado é o estresse.

Quais as possíveis causas?
Podemos atribuir a crescente ocorrência da síndrome à quantidade de informações que recebemos diariamente das mais diversas formas. Esse excesso propicia o desenvolvimento de novas doenças e condições mentais que estão diretamente relacionados com o nosso atual estilo de vida.

A grande quantidade de informação às quais somos submetidos são responsáveis por sobrecarregar nosso cérebro e saturar nosso córtex, causando hiperatividade e impaciência. Imagine você, diante da tela do computador, lendo esse texto. É bem provável que o navegador tenha várias abas abertas: Facebook, Twitter, YouTube, algum outro portal de notícias… e juntamente com isso tudo o seu celular vibrando com algumas mensagens. Inúmeros grupos do Whatsapp não deixam você em paz. Além disso, outras preocupações em sua mente: planos para o final de semana, o trabalho para entregar até a próxima sexta e tantas outras coisas que levam à criação de um série de pensamentos que se relacionam e que exigem grande dedicação das funções cerebrais. Está montado o cenário propício para a Síndrome do Pensamento Acelerado.

As principais características
Entre as características, podemos citar a sensação persistente de apreensão, dificuldade de memória, déficit de concentração, fadiga, irritabilidade e sono alterado. O indivíduo tem dificuldade de se concentrar em um livro ou de realizar uma tarefa sem interrompê-la inúmeras vezes. Além disso, permanece com a sensação constante de que 24 horas não são suficientes para realizar todas as atividades que necessita.

Leia Mais: Síndrome do Pensamento Acelerado atinge quem vive em grandes centros e quer estar conectado o tempo todo

O esgotamento mental é também convertido em cansaço físico, pois a alta atividade cerebral acaba sequestrando energia de outras áreas, como músculos e na manutenção de outros órgãos. É interessante ressaltar que o portador da Síndrome do Pensamento Acelerado possui a consciência de que é necessário reduzir a velocidade de seus pensamentos. Contudo, mesmo tentando, não consegue reduzir a intensa atividade à qual está submetido.

Qual a relação entre a Síndrome do Pensamento Acelerado e a ansiedade?
De acordo com a psiquiatra Elisa Brietzke, coordenadora do PRISMA (Programa de Reconhecimento e Intervenção em Estados Mentais de Risco) da Unifesp, a Síndrome do Pensamento Acelerado não é uma doença, mas um sintoma: “Geralmente está vinculada a um quadro de transtorno de ansiedade.”

Está geralmente associada a um quadro de transtorno de ansiedade que provoca a liberação de neurotransmissores como a adrenalina, ocasionando a ativação de uma série de circuitos cerebrais, tornando mais difícil concentrar-se em um único foco. Além disso, a ansiedade reduz temporariamente o fluxo sanguíneo no cérebro, o que dificulta a inibição da hiperatividade cerebral que desaceleraria os pensamentos. Os efeitos da Síndrome do Pensamento Acelerado são potencializados em situações específicas, como durante o sono, quando não há distrações e ficamos a mercê de nossos próprios pensamentos.

E o tratamento?
Para driblar os malefícios da síndrome é necessário adotar medidas que reduzem o ritmo frenético da vida cotidiana. Caminhadas, cozinhar, cuidar do jardim, aprender a tocar um novo instrumento, praticar determinado esporte, divertir-se com os amigos, ir ao teatro, andar de bicicleta ou outras atividades de caráter lúdico que atuem como uma distração sensorial (visual, auditiva, olfativa ou sensitiva) são válidas.

Tudo isso possibilita que a mente se distraia de si mesma e não corra o risco de se consumir. Esse desvio de foco mental auxilia na suavização dos pensamentos e em sua desaceleração, permitindo que o indivíduo assuma uma postura mais tranquila.

Referências: Calm Clinic, A Wandering Mind.

(Autor: LISAM-UFU)

(Fonte: meucerebro)

*Via nossa página parceira.

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