Conhece pessoas que parecem estar eternamente de mau humor? Para quem nada está bom? Não importa o que aconteça, parecem estar sempre para baixo? Pessoas que estão sempre cansadas, sem energia? Que se queixam o tempo todo?
Sabia que isso pode ser um transtorno mental? Pode ser distimia!

O que é distimia?

Distimia é um subtipo de depressão, que é um transtorno de humor. Se caracteriza por mau humor contínuo, sintomas depressivos de intensidade leve ou moderada e duração mais longa, mais de dois anos.

A distimia, como todos os tipos de depressão, causa perda de interesse ou desmotivação para realizar atividades, humor deprimido (ou nesse caso, negativo), alterações de sono, alterações de apetite. Outros sintomas comuns são fadiga e falta de energia; baixa autoestima, autocrítica frequente e sentimentos de impotência; dificuldade para se concentrar e tomar decisões; irritabilidade ou raiva excessiva; diminuição da produtividade; esquiva de situações sociais (isolamento); sentimentos de culpa e preocupação com o passado.

Por que não ouvimos falar sobre distimia?

A distimia é um transtorno crônico e com sintomas leves e/ou moderados. Muitas vezes, os sintomas são compreendidos como comportamentos inerentes a personalidade daquele indivíduo, ou seja, a pessoa é vista como “daquele jeito”. Mesmo para a pessoa que tem o transtorno é difícil perceber o seu comportamento como doentio, devido ao tempo que tem os sintomas.

Existe também a dificuldade dos profissionais de saúde em diagnosticar a distimia. Primeiramente, porque o paciente não se queixa de dificuldades emocionais ou relacionais, mas sim de sintomas como cansaço, insônia ou falta de apetite; que são associados a comorbidades físicas, em maioria. Outra questão é a associação da distimia com outros transtornos mentais, o que a torna subdiagnosticada. Dependência de álcool e depressão maior são os mais comuns.

Prevalência

Costuma afetar 3 vezes mais mulheres do que homens e os primeiros sintomas começam, geralmente, durante a adolescência, embora seja possível um início durante a infância ou até mesmo tardio, na fase adulta e terceira idade. De cada 100 pacientes atendidos nos postos de saúde, 7 provavelmente têm Distimia.

Leia Mais: Quando a tristeza se torna crônica: Distimia

Apesar dos sintomas serem caracterizados como leves ou moderados, as consequências da distimia são evidentes na vida dos seus portadores. Existem prejuízos na interação pessoal, sendo que o isolamento social é o principal problema. Isso acontece pois as pessoas tendem a excluir quem tem distimia de seu círculo pessoal, já que são vistos como pessoas negativas. Quando inseridos em uma comunidade, os pacientes relatam dificuldade se comunicar de maneira assertiva; e existem, por parte dos familiares e cônjuges, queixas sobre o humor deprimido; conflitos maritais, entre outros.

Pessoas com distimia também podem ter problemas de nível econômico. O rendimento no trabalho tende a ser visto como mediano ou baixo e, em alguns casos, com muitas faltas, influenciando a remuneração. Tendem a ter problemas em engajar-se em atividades criativas e de gestão, pois o humor negativo dificulta o processo de desenvolver novas ideias e de resolver problemas. Além disso, estão cronicamente insatisfeitos com a empresa contratante, influenciando sua satisfação com o trabalho e clima organizacional da equipe da qual faz parte, que tende a ser ruim.

Existe também o risco de morte dessas pessoas. O doutor Taki Cordas, em entrevista a Drauzio Varela, alerta para a incidência de tentativas de suicídio entre pacientes distímicos de 15% a 20%, o que é uma porcentagem altíssima. Segundo ele “A situação é mais grave ainda na infância e adolescência. Sabe-se que 90% das crianças e adolescentes que tentam ou cometem suicídio são portadoras de alguma doença psiquiátrica, em geral, esquizofrenia, depressão, distimia, dependência de drogas”.

E como tratar?

A distimia deve ser tratada com a associação de medicação e psicoterapia. A medicação auxilia no equilíbrio químico. A terapia tem o objetivo de reformular os padrões relacionais e construção de autoestima saudável.

Referências:
http://www.abrata.org.br/new/artigo/distimia.aspx
https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/distimia-3/

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