Você engordou. Claro que você engordou. Você não consegue manter sua boca fechada. Você se enche de comida como a porca que você é.

Você nunca consegue fazer tudo que tem que fazer no dia. Outras pessoas fazem. Mas você é muito lenta, muito preguiçosa, incompetente demais.

Você nunca consegue se levantar cedo o suficiente para se exercitar. Você está exausta, o que claramente é uma desculpa. Uma desculpa terrível. Que é uma prova de que você não quer perder peso. Que é a prova de que você continuará sendo repugnante.

Você cometeu um erro. Talvez tenha sido um grande erro ou um pequeno erro. De qualquer maneira, seja qual for o tamanho, seja qual for a magnitude, você não consegue parar de se condenar por isso. Porque você merece isso. Porque você deveria saber. E agora todos sabem a verdade: você é a pessoa mais idiota de toda a empresa.

Somos terríveis com nós mesmos. Regularmente. Nós nos dizemos as coisas mais dolorosas. Coisas cruéis. Coisas que nunca diríamos a outra pessoa. Porque elas machucam muito.

E ainda assim é tão difícil não ser terrível. Os insultos se derramam tão facilmente, tão naturalmente, como a água de uma torneira. Ser gentil com nós mesmos parece estranho e incômodo. Parece que estamos fazendo algo errado, então nós acumulamos críticas. E aumentamos as pilhas de críticas cada vez mais.

Recentemente, me deparei com uma citação importante da atriz Emma Stone: “Eu lembro a mim mesma de ser gentil comigo mesma e, por mais ridículo que pareça, de me tratar da mesma maneira gentil que eu gostaria de tratar uma filha minha…”

Este é um poderoso lembrete, particularmente quando as palavras cruéis vêm. E se você se tratar da mesma maneira gentil que trataria sua filha? E se você se tratar da mesma maneira que você gostaria que ela se tratasse? Com a mesma gentileza, compreensão e paciência. Faça perguntas para identificar e atender às suas necessidades, em vez de condenar ou criticar: Eu gosto mesmo de malhar? O que posso aprender com esse erro? Por que eu tenho comido mais ultimamente? Estou estressado? O que estou sentindo? Como posso ficar mais sintonizada com as minhas sensações de fome e saciedade? Eu estou comendo normalmente? Perda de peso é realmente a resposta? Eu quero passar toda a minha vida atacando e tentando mudar meu corpo? O que posso remover da minha lista e delegar para outras pessoas? E se eu pegar esse tempo para cuidar de mim mesma?

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Para muitos de nós, é muito mais fácil nos criticarmos. É muito mais fácil ser duro, ser impaciente, tirar conclusões precipitadas, dizer que arruinamos tudo e dizer que somos inúteis. É muito mais fácil nos abandonarmos. E assim fazemos.

Mas tente ter alguma gentileza e ternura com você mesma ao invés disso. Tente ser solidária. Talvez você tenha uma filha, e ela perceberá como você se trata e provavelmente fará o mesmo. E se você não tem filhos, finja mesmo assim. Pense em como você os trataria. Pense no que você gostaria que eles aprendessem com você. Pense em como você gostaria que eles passassem pelos desafios, como você gostaria que eles permitissem que outras pessoas os tratassem. E tente fazer o mesmo.

E pense também no seu eu mais jovem. Porque você ainda é aquela menina doce, curiosa, frágil, mas feroz, talvez perdida, tentando dar o seu melhor para navegar pelo mundo. Dê a essa garota o apoio que ela desesperadamente precisa e merece. Dê-lhe permissão para tropeçar, descobrir seus sonhos, conhecer-se, existir sem desculpar-se e voar com suas asas.

(Link original: psychcentral)
*Traduzido e adaptado por Marcela Jahjah, da equipe Fãs da Psicanálise

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