Freud a partir da observação e escuta das famosas histéricas, fez nascer a psicanálise e rompeu com o estigma de que mulheres eram “loucas”, percebendo que sofriam por suas repressões. A partir disso, marcou a feminilidade como um enigma, sendo sempre os desejos das mulheres um mistério.

Depois, Lacan, polêmico, disse que “A mulher não existe”. Apesar do alvoroço que essa frase ainda causa, ela apenas quer dizer que a feminilidade não existe a priori, ela se inventa no um a um, a partir de uma série de vivências e experiências.

Afinal o que determina ser mulher? Cada dia mais a experiência humana e social nos mostra que o foco biológico não é suficiente para definições.

A cada dia pessoas relatam novas formas de enxergar o próprio corpo, lidar e se relacionar com ele, um novo modo de se olhar no espelho, vestir, se construir em sua masculinidade ou feminilidade, ou também como bem entender.

Há o dia do homem, o dia da mulher, dia das paradas LGBT, mas afinal o que essas datas nos dizem? Cadê as reflexões sobre o respeito? Somente há repetições de discursos, mídia, vendas, mas a realidade cotidiana nos mostra uma série de machismos enraizados na população.

É preciso refletir sobre a cultura do estupro em geral, machismo presente no discurso das próprias mulheres, a homofobia, preconceitos e uma série de fobias a diversidade. Tantos avanços para muitos, mas também estagnação na reflexão de outros muitos. Não faz sentido eliminarmos o ódio pela via de um discurso de ódio, de cura gay, de presentinhos mimosos no dia da mulher…

Há que se refletir também sobre a imposição do homem em assumir uma posição de virilidade, detentor do dinheiro, poder, líder familiar, alguém que não realiza tarefas domésticas e tantos outros papéis tão ligados ao homem em outro tempo e que hoje não tem o menor sentido. Homens também sofrem com essas imposições, e por isso devem ser escutados em suas particularidades, sofrimentos com tamanhas cobranças.

Vamos pensar no machismo e fobias não sendo benéficos para ninguém. Discursos de ódio geram algum benefício? Por que se ocupar disso? Funks de apologia ao estupro vendem quais ideais?

O que tanto nos consome, muito corrói as nossas energias. Reflexões, abrir a mente, geram benefícios sem fim. Há pessoas que realmente pararam no tempo e devem buscar ter um pouco mais de informação. Os olhares de preconceito e julgamento de superioridade da família diante da outra ainda acontecem e muito.

Filhos devem ser criados para exercer a posição de sujeitos no mundo, assim ter condições de seguir uma carreira solo sem os pais no futuro. A orientação sexual deve deixar de ter tanto peso, pais devem criar os filhos para ser felizes.

Tanto preconceito, pressão, suicídio e depressão invadem os jornais e notícias. Não é de se espantar, afinal as pessoas estão sofrendo muito por não poderem ser quem são de fato. Mães e mulheres são cobradas demais, homens, filhos, pais, estudantes e múltiplos ambientes muito dominados pelo peso, falta de aceitação, bullying e medo.

Certamente uma boa educação começa em casa, por isso há muitas campanhas atuais sobre educação dos filhos em relação a sexualidade e preconceito, isso é muito importante. A escola também deve trabalhar e reforçar tais ideais, pois esse é nosso mundo atual, repleto de gente eclética e que tanto sofre.

Pessoas devem ser ouvidas, assim como um dia Freud entendeu que tamanho sofrimento era devido a tentativa intensa em se reprimir e encaixar.

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Mariana Pavani
Psicóloga, estudante de Psicanálise. Colunista do site Fãs da Psicanálise.


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