Couple holding hands in cafe

Sentei para conversar com uma de minhas amigas e após a conversa fiquei perturbada em pensamentos. É incrível nossa capacidade de insistir em estar ao lado de quem não queremos, não?

A gente namora o fulano porque ‘ele gosta muito de mim’, então, é mancada com o cara largar, né? E depois entra num noivado com a cicrana porque a família é fã dela, e poxa, até que ela é uma boa companhia. E por último vê-se num casamento sem sal nem açúcar, movido por um meio amor que em alguns dias nem isso é.

E nessas situações olhamos a aliança que adorna a mão direita ou à esquerda, e que na maioria dos dias nem é usada. ‘Esqueci em casa’, ‘tirei para lavar louça e esqueci de colocar de novo’, ‘tomei banho e esqueci ela no quarto’…. Quanto esquecimento sobre o símbolo universal de um relacionamento, não é mesmo?

Eu sei, a essa altura talvez você já tenha até desistido de ler este texto, afinal, ele não vem falar sobre um mundo encantado e colorido, mas por vezes, a realidade bate á nossa porta.

A questão central é: qual o motivo para você permanecer em um relacionamento meia boca? Por que a insistência em empurrar com a barriga uma situação onde nenhum dos dois lados está totalmente feliz? O que tem gritado alto dentro de você ao ponto de lhe fazer esquecer que a vida é pra ser vivida e não (sobre)vivida?

Seu lugar é ao lado de quem ama você, mas também é ao lado de quem você ama. Não adianta segurar uma mão pelo simples fato de que a outra pessoa quer isso; mesmo seguro, você se sentirá só. Mesmo cercado de sentimento, aparentemente lhe faltará algo. Um quebra-cabeças só é completo quando todas as peças conseguem se conectar. Caso uma das partes esteja quebrada, ou mesmo seja recortada da maneira errada, não será possível formar a figura com exatidão. Assim também somos nós; quando um lado busca infinitamente amar e o outro quer apenas esquecer um outro alguém, ou ter companhia no final de semana, ou qualquer outra coisa que não seja amar de volta, será impossível haver conexão suficiente para fazer com que a coisa toda faça sentido.

Eu sei, é estranho falar disso, mas é verdade. Ou se está por inteiro numa situação, ou não se está. Não existe um meio termo onde conseguimos ‘meio que amar’ alguém. Não se aprende a gostar com o tempo. Ou você gosta ao primeiro olhar, ou apenas se acostumará com a companhia. Simples assim.

E então nossos olhos procuram freneticamente por outro alguém na multidão, e o sorriso nos trai sempre que ouvimos o nome que em algum momento nos marcou, e mesmo sem querer, nos perdemos em pensamentos confusos que não sabemos dizer de onde vem, deixando a pessoa ao nosso lado desconfortável, pensando que isso sempre acontece… É tão nítido quando não somos inteiros.

E a gente luta e reluta com o bendito coração, e se empolga com os dias bons, pensando que agora sim, vai dar certo, “tô conseguindo seguir em frente”, e então as redes sociais fazem o favor de trazer uma nova selfie, um novo vídeo, ou qualquer outra coisa que for, e mesmo à distância, isso nos parece acontecer tão de perto.

Digo e repito: seu lugar é ao lado de quem ama você, mas também é ao lado de quem você ama. Você merece estar feliz de verdade, e essa pessoa ao seu lado também merece alguém capaz de ofertar o amor esperado. Ambos precisam estar bem, felizes, inteiros, com certeza sobre o que está sendo feito. Se não for assim, infelizmente vocês viverão o projeto do que poderia ter sido um grande amor.

Detonautas uma vez cantou que é difícil viver as verdades do mundo quando seu coração não se sente à vontade. Eles não estavam errados (nem um pouco). É difícil sim, mas é preciso. Então, ao menos tente. Tente não ter medo de amanhecer sem ninguém ao seu lado na cama, e de não ter uma mão para segurar seu mundo quando ele desabar. Tente dar a você e a essa pessoa que tanto lhe ama a oportunidade de estar por completo, e você perceberá que afinal, a sua bagunça combina tão bem com a narquia de outras vidas.

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Raquel Gonçalves
Há quem diga que os olhos são a janela da alma, então, no meu caso, eles são uma janela bem grande e aberta. Amante das artes, do universo e das palavras, necessito de música para viver, dos astros e estrelas para pulsar e dos versos para existir. A publicidade me escolheu; por isso anuncio paz, promovo sorrisos e transmito intensidade. Sou colunista do Fãs da Psicanálise.

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