Como sobreviver na era da desatenção? A correria do dia a dia é uma das características mais comuns entre as pessoas na atualidade. O fato de fazermos diversas coisas ao mesmo tempo, sendo que a busca pelo novo é constante e estímulos aparecem por todos os lados, o surgimento de soluções como a “economia da atenção” desponta como um grande negócio.

Se perguntassem para um empresário o que ele mais deseja de um cliente, o que ele responderia? Wallet Share? Preferência? Exclusividade? Qualquer uma das respostas seria a correta se estivéssemos em outra década. Agora, o bem mais precioso de um consumidor é a ATENÇÃO!

Sim, o fato de você direcionar a atenção para uma marca, uma mídia, um produto. Saiba que o seu tempo é o bem mais valioso da era moderna, um recurso cada vez mais escasso e mais disputado por negócios e marcas. Portanto, grandes indústrias, principalmente a do entretenimento, trabalham incansavelmente para conseguir reter a sua atenção.

No entanto, não basta lançar algo e conseguir que os usuários paguem pelo uso desse serviço, é preciso prender a atenção do consumidor, para que permaneça usando, para que volte e para que traga outros usuários consigo, no melhor e mais antigo jeito de fazer marketing no mundo: o boca a boca de pessoas satisfeitas!

Ou seja, o conceito de prender a atenção do usuário virou um comércio de grande valor agregado, e conseguir esse feito é descobrir a verdadeira mina de ouro!

    Qual o maior concorrente da Netflix? Será a plataforma da Apple? Amazon? Não! Hoje, o seu maior concorrente é um jogo chamado Fortnite. Ao invés de estarmos assistindo aos filmes e séries da Netflix, muitos preferem jogar em rede o jogo que se tornou case de marketing por ter faturado US$ 1 bilhão em dez meses.

Embora sejam negócios completamente diferentes, ambos têm algo muito
em comum: conseguiram formatar um tipo de atração que prende
a atenção do usuário.

Soa estranho quando a maior empresa de entretenimento do mundo considera que um jogo virtual, e não alguma outra plataforma de streaming, seja seu maior concorrente, não é mesmo? Seria até um devaneio se a notícia não tivesse partido da própria Netflix.

Outro exemplo muito interessante são os dos youtubers. Estava passando pela sala quando vi um dos meus filhos assistindo a um dos mais famosos comunicadores da “Era do Silício” (sim, é desta forma que estão chamando o momento que vivemos hoje): o Whindersson Nunes. A despeito das palhaçadas, algo me chamou a atenção, literalmente. Whinderson dizia que estava chegando aos 35 milhões de assinantes, e pedia para quem estivesse lhe assistindo para convencer um amigo a lhe dar “atenção”.

Antigamente, tínhamos o network marketing, ou seja, um marketing de rede, onde Amway e Herbalife ficaram famosas e gigantes por criar uma corrente de consumidores e vendedores. Agora, a atenção é o próprio marketing de rede.

O lado inverso da economia de atenção
Já vimos que prender a atenção dos consumidores é o recurso mais poderoso de qualquer negócio, correto? Por outro lado, tentar prender a atenção do consumidor de forma errada, sem que ele esteja interessado naquilo pode jogar contra a marca em questão.

Um caso recente que serve para ilustrar o que estou falando é a campanha de marketing digital protagonizada pela Bettina. Me arrisco a dizer que parte da repercussão gerada pelo vídeo está relacionada a “forçar” os internautas a assistirem ao comercial da Empiricus (com a interrupção abrupta dos vídeos pelos comerciais da empresa) do que propriamente o sonho de uma rentabilidade irreal.

Usuários de todos os perfis de Youtube, Facebook, Instagram se depararam com a publicidade, independentemente de terem interesse no produto ou não. E, nesse caso, a internet não perdoa, tudo que é massificado pode sair pela culatra, principalmente quando se questiona a veracidade das informações.

    Usar recursos para roubar a atenção do consumidor pode criar um conceito negativo da própria marca, muitas vezes sem volta.

Não é à toa que o marketing de atenção vem sendo considerado o método mais eficaz para a maioria das empresas. Diferentemente do antigo conceito de vendas, que era o de bater na porta do cliente, o marketing de conteúdo bem-feito atrai visitantes qualificados para o negócio de forma orgânica, o que transforma essa atração em oportunidade de negócio. A atenção, novamente, vale mais do que qualquer dinheiro.

Sobretudo, a eficiência do marketing de atenção não está somente na estratégia ou em saber usar as ferramentas, mas também na humanização do próprio conteúdo, que, quanto mais próximo da realidade de pessoas reais, mais despertará o interesse dessas pessoas, que irão se identificar.

Como sobreviver à nova economia de atenção?

      • “O que a informação consome é bastante óbvio: consome a atenção de seus destinatários. Assim, uma riqueza de informações cria uma pobreza de atenção e uma necessidade de alocar essa atenção eficientemente entre a superabundância de fontes de informação que poderiam consumi-la”, Herbert A. Simon, primeira pessoa a abordar a economia da atenção na história.

Portanto, não basta ter um superproduto, é preciso achar o público certo para atrair sua atenção. Um mercado em efervescência, por exemplo, é o de música gospel; artistas desconhecidos pelo público em geral são responsáveis por levar milhões de pessoas aos shows. Isso certamente tira um pouco da verba de outros grandes espetáculos e pode inclusive estar competindo com a audiência de programas de TV, em canais abertos e fechados, já que estamos falando de públicos similares. Nesse caso, a Attention Economy achou um super nicho.

Um livro aclamado pela crítica, “The Attention Merchants: The Epic Scramble to Get Inside our Heads” (Os Mercadores da Atenção: A Luta Épica para Entrar em nossas Cabeças), do premiado Tim Wu, autor do termo “net neutrality”, é uma leitura obrigatória para quem quer entender melhor sobre a economia de atenção.

O livro traz revelações de como a captura e a revenda da atenção humana tornou-se a indústria definidora do nosso tempo.

Por fim, alguns aspectos que julgo fundamentais para prosperar na nova economia de atenção, como a honestidade com o usuário, o mercado de nicho, o filtro de conteúdo, a personalização, a forma como o serviço é entregue, a acessibilidade – acessível quando e onde o usuário desejar – e a autenticidade, são fatores que ditam muito sobre o mercado, que descobriu que reter a atenção do consumidor é uma mina de ouro.

(Autor(a): Alberto Roitman, Chief Creative Officer da Nexialistas Consultores)
(Fonte: linkedin.com)

(Imagem: Jared Brashier)

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