Depois de um monte de tempo tomando Prozac (ou similares), e vivendo alheia a ansiedade e a angústia – praticamente no monte Olimpo, meio que indiferente às dores -, cheguei à conclusão de que não aprendi nada e de que aquela equilibrada entorpecida não era eu.

Fiquei com a sensação de que perdi tempo. Pelo medo de me conhecer, paralisei. E cada vez que eu parava de tomar os antidepressivos as dores voltavam, iguais ou renovadas. Notei que o vazio e a solidão não haviam me deixado, apenas se escondido.

De repente me acordei e notei que o antidepressivo não me ensinava a viver. Pelo contrário, apenas dissimulava minha inabilidade de conviver com a dor, disfarçando-a de equilíbrio.

Foi só quando me dei conta de que o vazio que eu tanto temia era exatamente o cantinho do “eu”, é que passei a me descobrir e me conhecer de verdade, e que a palavra equilíbrio não estava assim com essa bola toda.

Mesmo frente ao desconhecido resolvi largar toda essa força artificial produzida em laboratórios, a “fórmula da felicidade” e parti para o enfrentamento. É pra doer? Então venha. A dor emocional, qualquer que seja ela, não vai me matar!

Hoje, e sem remédio algum já faz alguns bons montes de anos, me sinto crua, inteira, bem mais capaz e potente para encarar as decepções. Dores essas que percebi serem tão comuns, tão “nada de mais”. Constatei, também, que isso é tão igual para todo mundo, afinal, a angústia de viver vai nos acompanhar, quer queiramos, quer não!

E também ninguém é assim tão equilibrado quanto se diz ou se mostra ser. No fundo todo mundo sente dor e é sozinho, muito embora muitos consigam disfarçar isso com maestria, seja se mantendo sempre acompanhado, trocando de parceiro, envolvido em projetos, em trabalho, mudando de emprego, viajando, frequentando festas, se mantendo em diversão, demonstrando viver uma vida mega excitante. Mas o fato é que muitos não deixam aparecer o interior com medo de parecerem fracos.

Somos todos irmãos, todos somos um só, uma só mente embora em muitos corpos. Equilíbrio, na verdade, é irmos aprendendo uns com os outros e cada um está aí para estender a mão para o próximo. Isso é viver na essência. É largar as máscaras e ser quem se é, ajudando-nos uns aos outros, acolhendo a própria vulnerabilidade e aceitando a vulnerabilidade do outro.

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E foi o que aconteceu quando PAREI DE TER MEDO DE SENTIR DOR e ME ENTREGUEI, e também quando deixei de ter medo do julgamento, principalmente do meu próprio julgamento de que eu não era aquela perfeição que achava que tinha de ser. Quando me olhei de frente e LARGUEI O CONTROLE, passei a ter mais consciência da minha fragilidade e milagrosamente o que doía passou a doer menos, até que acabou perdendo relevância. O autoconhecimento tem esse efeito.

Antes o que era meu algoz – engolido com a medicação – hoje se transformou em meu maior aliado. FIZ DO MEU VAZIO O MEU CÚMPLICE. É nele que eu encontro a voz que me guia, a qual chamo amorosamente de Deus. É no meu vazio que o Universo se manifesta, pois nele descobri minha intuição.

Apenas quando eu me permiti me sentir fraca e vulnerável é que então me percebi forte. Quando NUA ENTREGUEI MEUS MEDOS AO SILÊNCIO é que então DESABROCHEI! Essa é a minha verdade, encontrei a essência, e não sou mais forte do que você! Ou seja, se eu pude encontrar a minha, qualquer um consegue também! Com ajuda, ou sozinho, não desista.

A LIBERDADE EMOCIONAL é a autorização que falta para encontrar a essência da própria vida. Mas para isso há que se olhar para dentro. Alguém, muito VOCÊ pode ser descoberto!

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Márcia Nyland
Servidora Pública Federal, rastreadora incansável do desenvolvimento pessoal, e colunista do site Fãs da Psicanálise.


3 COMENTÁRIOS

  1. e o que fazemos com a abstinência, pq. eu fui parar no pronto socorro muitas vezes, e tenho 66 anos fui medicada por um médico não especialista que disse que iria dormir bem, e no entanto agora sou uma dependente de DROGA, tomo alprazolam 0,25, meio de manhã, meio no almoço, meio na tarde e um inteiro para ir dormir e assim mesmo as vezes não durmo….sou sózinha e agora me lembro como minha mãe se acabou depois que começou a tomar rivotril …..começou com um terminou com 15…..ficou completamente desorientada .

  2. Que lixo de texto. Você não deveria tratar de forma tão leviana a DOENÇA chamada depressão. Não é porque você é uma mimada, patricinha cheia de mimimi que toma remédio por gracinha, que não existam pessoas que NECESSITEM de antidepressivos pois possuem deficiências FISIOLÓGICAS. Para de defecar pela boca, colega. O mundo não é baseado nas suas experiencias de filhinha de papai mimada.

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