Primeiro eu encontrei o amor próprio. Foi difícil, pois tive que desconstruir várias “certezas” dentro de mim. A “certeza” de que era impossível ser feliz sozinha, que eu precisava de alguém para me fazer feliz… A duras penas aprendi que tá tudo errado.

Dá pra ser feliz sozinha sim e só é possível ser feliz com alguém se ambos forem felizes sozinhos. Ao contrário de um culpabilizar o outro de sua infelicidade, que tal cada um cuidar da própria vida e se unirem só para compartilhar sentimentos e emoções? Acho que é uma ideia melhor.

Mas aí encontrei o amor próprio e encontrei também um amor de alma. O que seria um amor de alma? É uma definição que eu mesma inventei para falar sobre algo que não tem definição, algo que vivi e vivo.

Eu encontrava com essa pessoa em sonhos, mas não era qualquer sonho. Eram sempre muito realistas, coisa que eu raramente tive na vida (é muito difícil eu me lembrar do que sonho). Quando eu estava com a pessoa era como se estivesse com alguém que já conhecia a muito tempo (tanto nos sonhos quanto de verdade). Ficava muito feliz mas era muito natural. O abraço era simplesmente o melhor do mundo. Não tem como explicar, é como se não fosse apenas um abraço, como se naqueles segundos estivéssemos vivendo uma realidade paralela, outra dimensão, sei lá.

Leia Mais: O amor incondicional é bonito, mas às vezes dói.

Embora estar com ele seja tão bom, não é algo que acontece com frequência. Mas percebi que mesmo longe existe uma conexão. Muitas vezes penso nele e ele aparece de alguma forma (fica online ou posta alguma coisa, por exemplo). Em outras, é apenas uma conexão mental mas muito intensa. Vibro amor e mando e inexplicavelmente eu SEI (não sei como) que ele sentiu lá, esteja onde estiver.

É claro que já pensei estar louca, mas ao olhar nos olhos dele tudo se confirma. É como se ele dissesse (sem pronunciar uma palavra) “eu te entendo, também sinto isso”. Nos comunicamos muito com o olhar. Pelo olhar ele me acalma e afasta todas as minhas dúvidas de que o que sinto seja real.

Essa dúvida aliás, é tudo coisa do ego. Eu nunca senti nada mais real e intenso na minha vida. Nunca senti um amor tão puro. Não sinto vontade de prendê-lo a mim, pois tal como um passarinho que ao ficar numa gaiola perde o viço, ele foi feito para ser livre e eu também. Fico feliz em vê-lo feliz, independente se essa felicidade tem algo a ver comigo ou não. Mesmo se alguma atitude dele não é exatamente o que eu gostaria, eu entendo o lado dele. Não é que eu finjo entender, não… realmente o entendo, apesar de ser diferente de mim.

Não vou mentir, as vezes quero algo mais palpável, um beijo, um abraço… mas estou aprendendo a valorizar os momentos que tive e ser grata por cada um deles. A saudade as vezes bate, mas aí sinto a conexão e sinto que ela será eterna.

Leia Mais: Amor próprio não tem que ser desamor pelo outro

Não estou fechada a outras oportunidades, outras pessoas. Até porque temos necessidades físicas e biológicas, que são tão naturais e saudáveis como comer e beber água. Não me privo de nada. Mas isso não tem que ter nada a ver com o amor. Pode ter e pode também não ter. Sexo é sexo. Amor é outra coisa.

O importante é que eu amo. Simplesmente amo. Não exijo nada em troca, pois esse amor me preenche e transborda. Ele me faz bem. E quanto menos se espera dele, mais ele nos surpreende e nos faz bem. Saudade é ego, pois não existe limite para o amor. Estamos ligados através dele sempre, mesmo a quilômetros e quilômetros de distância. Não muda nada.

E assim, eu gostaria de te dizer (pois de alguma forma sei que isso vai chegar até você) que entendo e respeito suas decisões, mesmo as que não concordo. Te entendo como se você fosse eu. Apesar de não sermos iguais, você faz parte de mim. Amo você, sua liberdade, suas virtudes… Respeito seus medos, suas travas, suas angústias. Estaremos sempre juntos.

Compartilhar

RECOMENDAMOS

Ellen Dutra de Oliveira
Graduada em Engenharia Civil, atua como militante em movimento social. É apaixonada por animais, livros, música, filmes, séries e pelos mistérios da mente humana. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


2 COMENTÁRIOS

  1. eu nao acredito no que li…simplesmente me retrato todinha neste texto…nunca vi nada assim…agora sei qque existe alguem como eu….eu ja escrevi isto so para mim…obrigado por esta beleza…porque amar assim… quase ninguem deve entender…eu tambem o entendo… como se fosse eu…

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here