Há um aforisma lacaniano que diz: A mulher não existe. Certo, mas o que isso implica no cotidiano do feminino? Nelson Rodrigues, o filósofo selvagem, tece algumas considerações interessantes ao dizer que a mulher é aquela que está sempre sendo devorada pelos seus próprios escrúpulos e por isso está condenada a viver sempre no limite. Na implacável fronteira.

É isso então: o gozo feminino é o limite da linguagem, pois foge de qualquer tentativa de compreensão; é um gozo não barrado, não controlado, não mensurável e que desafia o limite. Nelson pontua que a mulher está no limite, porém, Lacan dirá que o gozo feminino está para além do limite; está onde homem nenhum nunca irá tocar.

A alma feminina é intocável. Estamos diante do gozo ilimitado e selvagem, gozo esse tão sonhado por nós, homens – malditos homens que só conhecem o podre do desejo e pautam suas vidas em uma fantasia com o gozo que nunca irão alcançar. Os homens temem as mulheres porque elas chegam onde eles nunca colocarão os pés. É por isso que não conseguimos prever os ideais do feminino. O mistério do mundo é o mistério da mulher.

A mulher é o ponto onde a objetividade masculina fracassa. O homem, em sua estrutura obsessiva tenta apreender e acalmar o gozo feminino. Pobre coitado! A mulher já pressupõe desordem. É o gozo sem limites.

A mulher não existir na lógica lacaniana faz dela um ser capaz de ser o que ela quiser – pois não há nada que defina o que é ser mulher. Talvez seja isso que elas queiram: ser o que elas quiserem ser. É por isso que nós, homens, não sabemos lidar com mulheres empoderadas, pois somos animais objetivos, um bando de frases feitas, sempre escolhemos o mar calmo em detrimento da tempestade. Por esse motivo que nunca estaremos preparados para uma verdadeira mulher.

Compartilhar

RECOMENDAMOS


Maikey Oliveira
Estudante de Psicologia e amante da literatura. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here