A resposta é: sim. Talvez você tenha mesmo quebrado e está tudo bem. Talvez não tenha se espatifado no chão, é verdade. Mas pode estar um pouco rachado ou se sentindo perdido como um brinquedo num baú antigo.

Mas como diz a célebre frase: “primeiro precisamos nos perder para podermos nos encontrar”. Ou a gente junta os cacos pra reconstruir. E é dessa reconstrução que estou falando.

Vivemos muita coisa até aqui, é verdade. Amamos, sorrimos, choramos, nos iludimos, reacreditamos, caímos e ficamos.

O fato é que somos a incrível geração dos que não conseguem amar (ler aqui) e passamos a desistir de encarar de frente esse monstro chamado “relacionamento”.

Temos tantas marcas de machucados que resolvemos nos encolher no sofá com um cobertor, chá quente e Netflix nas madrugadas, nos recolhendo em nossa concha e vestindo nossa armadura.

Com o peito revestido assim fica impossível de se machucar, não é? É sim. O problema é que com o coração dessa forma, também fica impossível de amar alguém novamente.

Mas nem tudo é um problema. Veja, com tantos tombos, acho que aprendemos muita coisa aqui. Aprendemos a nos valorizar e a nos amar (essa é a lição de casa número um da vida e espero mesmo que você tenha aprendido algo sobre isso).

Aprendemos, também, a identificar melhor aquilo que queremos e não queremos em um relacionamento. Descobrimos o que nos faz mal e identificamos aquilo que nos faz bem. A maturidade traz isso, especialmente quando nos permitimos viver experiências, ruins ou boas.

A cultura atual também faz seu papel. Antes, a música brasileira evidenciava o amor, aquela paixão impossível, a dor de amar, a vontade de querer, o tesão de ficar e viver com alguém.

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Hoje, não é incomum ouvir músicas nas rádios, nas novelas e na internet que falam sobre não precisarmos de ninguém, sobre a fila andar, sobre ir pra noite e se divertir sem se preocupar. E está tudo bem também, afinal temos o direito que querer ficar solteiros.

Temos aplicativos, temos festas, temos PAs, temos whatsapp na sexta à noite pra aquela transa descompromissada. Querer estar solteiro não é estar quebrado, pelo contrário. É saber bem o que se quer e não se quer.

No entanto, estar quebrado é querer amar e não conseguir. É ter medo de entrar em uma relação e, por isso, preferir ficar sozinho. É não se permitir viver coisas mais profundas (independente do nome que se dê a isso). É não se entregar a uma paixão. Se por acaso amar é algo que você não quer e está muito bem assim, ótimo. Como mencionei, estar solteiro não é uma fase como muitos dizem.

– “Ai, você está solteiro, mas é só uma fase”.

NÃO! Não é só uma fase, você tem direito de estar solteiro e viver solteiro.

Porém, se você sente saudade de estar com alguém, dividindo o sofá na noite fria, enrolando os pés embaixo dos lençóis, compartilhando o sorvete no shopping ou viajando bem agarrado, e não consegue fazer nada disso, é porquê está bloqueado. O medo te congelou e estamos todos assim, como cubos de gelo.

– “Só conheço homem/mulher idiota”

Tem gente que combina com você e tem gente que não, é simples. Isso ajuda a ver aquilo que você procura em alguém e aquilo que te afasta.

Como o cantor Criolo sabiamente diz, “as pessoas não são más, elas só estão perdidas!” e é verdade. Procure não generalizar: da mesma forma que existem pessoas que você não gosta por esse ou aquele motivo, há no mundo pessoas muito legais que são diferentes dessa gente que você atrai ou se atrai. E por falar em se atrair, talvez seja hora de ajustar sua mira.

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– “Mas não existe gente interessante por aqui”.

Ok, mas você é interessante para si mesmo? Você se ama e se cuida? Tem trabalhado com aquilo que gosta? Tem experimentado coisas boas? Tem cultivado amizades incríveis? Te faço todas essas perguntas porque o amor próprio é o primeiro amor a ser nutrido e encontrado, sempre, todos os dias.

O mesmo vale para as pessoas ao seu redor. Ame sua família, seus amigos, seus gatos, seus cachorros, seus papagaios. Aprenda sobre o amor genuíno, aquele que se dá amor e nada se espera de volta. O interessante aparece, é uma certeza, no tempo certo.

– “Já conheci pessoas incríveis, mas nada de amar”

E você achou que iria ser fácil assim? Ninguém falou que seria. Nós temos a régua bem alta, somos exigentes ao extremo.

Queremos a pessoa perfeita em todos os sentidos, achando que isso é alguma garantia de viver somente coisas boas e nunca sofrer. Antes de querermos alguém perfeito, permita-se conhecer alguém.

Todos nós temos medos, anseios, receios, frustrações. Todos temos aquilo que acelera o peito, aquilo que faz as mãos suarem. A vida não é só alegria. A vida é aprendizado, é dor, é choro, mas também é respiro, é sol, é mar. E é amor. Amor é construção.

É respeitar as dificuldades do outro, é ser sincero, é demonstrar e receber. Amor também é luta, amor também é cuidar. E amor também é amor: o que há de mais belo nesse mundo. Se você encontrou alguém que não te dá isso, caia fora. Construir é nutrir um bom relacionamento com tudo isso e mais um pouco.

Eu sei. É ótimo ficar no sofá encolhido, mas também é ótimo sair dele e ver a vida. Acredito que o amor chega para todos. Muitas vezes ele chega sem avisar, outras vezes ele se vai e é difícil. Mas vou te dar uma notícia que pode te agradar (ou não): você vai amar de novo.

E talvez ame mais de uma vez. E vai ser amado de volta. Ou não. Mas o amor existe se você quiser. Eu poderia dizer “se der medo, vai com medo mesmo”, mas não farei isso. Acho que cada um sabe de si e do seu momento.

Apenas reforço que o amor está aí, basta se permitir. Você já disse “eu te amo” pra alguém hoje?

E você que ama, o que está esperando?

Via nosso site parceiro Deu Ruim

Autor: Denis Araújo

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