Jogos de videogame são, normalmente, violentos ou orientados pela ação, mas o programador Ryan Green, de Colorado, nos EUA, decidiu usar essa arte para homenagear seu filho Joel, diagnosticado com câncer terminal no primeiro ano de vida. O pequeno deixou a família há um ano, quando tinha apenas quatro, mas será eternamente lembrado com a homenagem criada pelo próprio pai.

“Eu estava com medo de esquecê-lo”, disse Ryan, de 34 anos, à NBC News. Foi então que ele decidiu criar o jogo “That Dragon, Cancer” (“Este Dragão, o Câncer”), convidando os jogadores a embarcar no dia a dia da sua família e a experimentar a intensidade emocional de viver com uma criança prestes a morrer.

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O jogo, classificado como poesia e espiritualidade, ajudou os pais e irmãos do pequeno a escapar da dor que sentiam, mas também os permitiu falar abertamente sobre o destino de Joel. “É uma carta de amor de um desenvolvedor de videogames para o seu filho; um jogo de aventura imersiva para inspirar o amor ao próximo; um memorial para centenas que lutaram contra o câncer”, diz o site do projeto.

Desenvolvido por Joel e outros cinco colegas de trabalho, o jogo deve ser lançado no próximo semestre. “Não será algo típico”, avalia Ryan. “Normalmente, em um jogo você tem um objetivo, que é possível de ser alcançado correndo, pulando e matando os inimigos… O que estamos fazendo é diferente. As suas decisões não alteram a forma como a história termina. Porque, em última análise, estamos contando uma história verdadeira. Joel não sobreviverá.”

O jogo começa em um parque onde Joel joga pedaços de pão a um pato. Enquanto isso, as vozes de sua família são ouvidas ao fundo, explicando a condição do filho. Em seguida, os jogadores podem empurrá-lo no balanço e tocar seu rosto em uma cama do hospital. “Você será um amigo entre nós durante esta jornada”, explica.

Em 2010, pouco antes de completar dois anos de vida, Joel foi diagnosticado com um tumor raro no cérebro, com o qual ele viveu por mais três anos. Para evitar mostrar o filho sofrendo de forma muito explícita, eles optaram apenas por puxar a risada real da criança documentada em vídeos caseiros, e eliminar o som do choro. Além disso, os personagens aparecem sem rosto, mas ainda assim demonstram emoção.

No final, os jogadores são convidados a deixar Joel partir, enquanto a família permanece em uma ilha. “Ele se move, mas nós não conseguimos”, conta Amy Green, a mãe.

Ryan espera que sua criação se torne um recurso para outros pais em luto. “Não há muito espaço na nossa cultura para falar sobre a morte.”

(Fonte: revistamarieclaire.globo.com )

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Claudia Pinheiro
Psicóloga há 25 anos, especialista em Psicologia Hospitalar com aperfeiçoamento em Transtornos Alimentares e Obesidade, e pós graduada em Cuidados Paliativos. É colaboradora exclusiva do site Fãs da Psicanálise.



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