“Na tua atividade, na atividade que você tem no executivo, na prefeitura, no Estado… Você está fazendo o possível ou o melhor?

Não é o melhor do mundo. É o teu melhor, na condição que você tem enquanto você não tem condições melhores para fazer melhor ainda. Pergunto de novo, mas não responda: Você está fazendo o possível ou o melhor? Insisto, Não é o melhor do mundo. É o teu melhor, na condição que você tem enquanto você não tem condições melhores para fazer melhor ainda.

Porque se você ou eu podendo fazer o meu melhor, me contento com o possível, eu caio num lugar perigoso chamado ‘mediocridade’. Uma pessoa medíocre é aquela que é morna. Que está na média. Que não é quente e nem fria.

Lembra quando você chegava da escola que tinha o boletim escrito, o pai olhava: 6,0 em português, 5,5 em matemática, 4,0 em história… e você dizia: ‘ Pai, deu pra passar’.

Medíocre! – ’Deixa, eu toco a minha vida’ – Isso é mediocridade. Insisto: uma pessoa medíocre é aquela que podendo fazer o melhor se contenta com o possível. Exemplo: Mediocridade é falta de capricho.

Sabe o que é capricho? Capricho é você fazer o teu melhor na condição que você tem enquanto você não tem condições melhores para fazer melhor ainda.

Exemplo: minha mãe e eu moramos na mesma rua em São Paulo, por coincidência, e às vezes eu passo na casa dela no fim da tarde e mãe conhece. Às vezes ela me olha pra mim as 5 da tarde e pergunta: ‘você não almoçou ainda, né?’, aí eu falo para ele “Não, comi um negocinho na Universidade” – e ela falo – ” Espera aí que eu vou fazer um negócio pra você”. E aquela coisa meio mágica de algumas mãe, em cinco minutos aparece uma coisa para eu comer.

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Eu como filho de italianos, uma coisa comum, um pouco de talharim com azeite e sal em cima, mais nada. E com a fome que eu estou naquela hora comeria o prato vazio. Portanto, ela pode fazer qualquer coisa mas sabe o que ela faz? Faz o macarrão com azeite e sal mas antes de servir ela pega um tomatinho cereja, corta em quatro e põe em cima.

Capricho. Capricho é você fazer o teu melhor na condição que você tem enquanto você não tem condições melhores para fazer melhor ainda.

Eu no Paraná, quantas vezes, caipira, ia até a roça visitar a casa de alguém, quem aqui conhece sabe, na roça aquela casa que a gente chama de pau-a-pique, casa de barro com madeira trançada. Entrava na casa, chão de terra, tudo varrido. Capricho! ‘Ah, mas o chão já é de terra” Capricho!! Fazer o teu melhor na condição que você tem enquanto você não tem condições melhores para fazer melhor ainda, para não ser medíocre.

Pedia eu para tomar um gole d’água na roça, a mulher corria pegar uma canequinha, daquela de alumínio, toda amassada… areada. Passava areia em volta. ‘Ah, mas já é pobre mesmo’ – Êpa!! É pobre, mas é limpinho. E tem gente que não é pobre e limpinho não é e tem gente que é pobre e não é limpinho. Medíocre!

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Pobre na roça tem roupa de ver Deus, vai à igreja, pode a roupa não ser nova, às vezes tem remendo mas está limpinha e põe no sol para “quarar”.

Quantas vezes eu, como secretário de educação na capital ia visitar uma escola municipal, teto caindo, água escorrendo, culpa nossa do poder público, mas a escola toda arrumada, limpinha, as carteiras em ordem, velhinhas mas todas em ordem. Florzinha, sala dos professores. Capricho! Capricho é você fazer o teu melhor na condição que você tem enquanto você não tem condições melhores para fazer melhor ainda.

Tem gente que é medíocre e aí a obra fica medíocre. ‘Ah, mas do jeito que me pagam; ah, mas do jeito que é; ah, mas eu não tenho condição…’.

Há pessoas que, em nome da condição, degradam a ação. Ao invés de ter um trabalho que é concomitante, luta para melhorar as condições e vai fazendo o melhor com aquelas que tem”.

(Autor: Mario Sergio Cortella)

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