Os filhos só vão respeitar os pais se respeitaram os avós. Só serão educados, só não farão birra e chantagem, choro e culpa, se souberem conviver com os avós. Sem o contato com outra geração mais velha, serão apenas mimados e briguentos, farão algazarra na mesa e baterão a porta do seu quarto.

Quem define a educação não são os pais, mas como os pais honram os seus pais e como inspiram os filhos a se comportarem com os pais dos pais. Esse é o ponto de conversão, o espelho necessário.

Os presentes e os cuidados, os afetos e o tempo concedido não definem um relacionamento saudável de filiação. Quem é um bom neto será um bom filho. A ordem não pode ser mudada. Porque a criança aprenderá a ouvir aquele que veio antes, a se importar com as lembranças familiares, a obedecer o ritmo da idade e da calma. Entenderá o que é falar depois de ouvir, o que é amar depois de fazer. Terá paciência para caminhar mais lento e a suportar infinitas versões de uma mesma história. Perderá o egoísmo da pressa. Verá que as pessoas envelhecem e precisam de cuidados maiores. Verá que a gentileza não é uma formalidade, porém um modo de preservar a rotina.

Com os pais, os filhos são direitos. Com os avós, reconhecem quais são os seus deveres.

Nada mais generoso do que assistir televisão com os avós e testemunhar as risadas de piadas incompreensíveis para a nova geração, para se afastar um pouco do celular e reassumir o valor da presença diante da mesquinharia das ilusões. Nada mais terapêutico do que perguntar o que significam palavras antigas.

A avó e o avô funcionam como antídotos contra a gritaria e as ofensas.

Criança que ajuda os avós certamente cederá o lugar no ônibus e carregará as sacolas do supermercado de uma estranha na rua. Pois sempre se lembrará daquele que gosta e tem mais vulnerabilidade. Filho que apenas fica com os pais é abusivo, mia e chora por qualquer coisa, não obedece, não diz obrigado, cabula as tarefas, acha que mora num castelo com a obrigação de ser servido e que todo mundo é eterno. Já filho que divide uma noite com os avós conhece o que é saudade e teme a morte.

Não vai colocar a sua vontade em primeiro lugar, já que perceberá a necessidade majestosa dos mais idosos. Manterá em si um pouco do temperamento de enfermeiro e de cuidador por toda a vida. Mesmo que os avós não estejam mais entre nós, existe a memória deles, que permanece sendo uma permanente tutoria.

Foi com os avós que me doutorei no meu silêncio, acompanhando o nonno na pescaria e esperando fisgar um peixe durante horas de observação do lago, que descobri o valor de um bolinho de chuva no meio da tarde e a arte de montar a pirâmide de lenha na lareira, que assimilei a importância de vestir um pulôver, tricotado pela nonna, mesmo que seja para caminhar pela sala.

“A educação é filha do amor, mas neta do respeito.”

(Autor: Fabrício Carpinejar)

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