É curioso notar o quanto uma das coisas mais triviais de nossa adolescência, a acne, pode, de uma forma ou de outra, precipitar quadros de depressão nas pessoas. Esse é o resultado de uma das maiores pesquisas realizadas até o momento.

O estudo foi feito a partir de uma série de fontes e incluiu também a consulta a uma ampla base de dados do Reino Unido (The Health Improvement Network – THIN). Realizado dentro de um intervalo de análise de 26 anos, ele, agora, foi publicado no The British Journal of Dermatology.

Os pesquisadores descobriram que os pacientes com acne apresentaram um risco significativamente maior de desenvolver uma depressão. Ou seja, simultaneamente aos problemas de pele, aumentam as chances de manifestação de uma combinação de outros sintomas emocionais bastante debilitantes e que interferem na capacidade dessas pessoas de viver regularmente (leia-se: trabalhar, dormir, estudar, se alimentar), comprometendo, assim, a possibilidade de desfrutarem das atividades cotidianas mais prazerosas.

A análise apontou que o risco de depressão foi maior dentro do intervalo de um ano após o diagnóstico inicial de acne.

Os pacientes com acne apresentaram, nesse período, um risco 63% maior de ter depressão, em comparação com indivíduos sem acne. E, caso você ainda não saiba, alguns indivíduos podem ter apenas um único episódio depressivo ao longo de uma vida toda. Entretanto, o mais frequente é que a pessoa tenha vários episódios depressivos.

Qual a lição que a pesquisa nos deixa? Ela mostra que os seres humanos, na verdade, são muito mal preparados para lidar com problemas – essa é minha singela opinião – e que coisas pequenas, muitas vezes insignificantes aos olhos dos outros, na verdade, se não conduzidas com cuidado, podem, no final das contas, se transformar em algo muito maior.

Assim sendo, ao nos depararmos com alguém com acne – e nem estou falando de um quadro muito agudo –, seguramente precisamos disponibilizar um cuidado mais pontual. Ou seja, talvez a acne não seja apenas um condição da pele ou uma fase que passa, mas um importante gatilho para problemas maiores.

Nossa saúde (física e mental) é algo muito sério para ser deixado para lá.

Fique atento!

* Referência: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/bjd.16099/abstract

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Cristiano Nabuco
psicólogo e atua em consultório particular há 32 anos. Tem Pós-Doutorado pelo Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Atualmente trabalha junto ao PRO-AMITI do Instituto de Psiquiatria do HC/FMUSP; Coordena o Núcleo de Terapias Virtuais (SP) e o Núcleo de Psicoterapia Cognitiva de São Paulo. Foi Presidente da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC). Publicou 13 livros sobre Psicologia, Psiquiatria e Saúde Mental. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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