Alex, provavelmente, sofre do transtorno de personalidade Borderline. Esta síndrome apresenta o mecanismo oposto à psicopatia.

Psicopatas têm baixa ação no cérebro límbico, acarretando numa total falta de compaixão pelas outras pessoas. Já no transtorno da personalidade Borderline, a ação do cérebro límbico é fortíssima, fazendo com que todas as emoções explodam muito à flor da pele.

Tudo é sentido com extrema intensidade, gerando muitos conflitos e sofrimento, pois como o próprio nome da síndrome afirma, a pessoa vive no limite. Limite das emoções. Porém, não devemos confundir pessoas mais emotivas e sensíveis com portadores desta síndrome.

O filme Atração fatal é um cult dos anos 1980, estrelado por Michael Douglas, Gleen Close e Anne Archer. A trama começa de forma bem banal e triste: um homem bem casado com uma mulher gentil, compreensiva e atraente, pai de uma engraçadinha menina de cinco anos, aproveita uma breve viagem da família para viver um caso relâmpago com uma mulher muito atraente e inteligente, que demonstra ser descomplicada.

O filme apresenta cenas picantes entre os personagens protagonistas é visível e magnética. Porém, quando a esposa volta de viagem e Dan, o personagem de Michael Douglas, espera regressar tranquilamente e ileso à sua rotina, descobrimos juntamente com ele que Alex, interpretada por Gleen Close, não era tão descomplicada assim e que ela queria muito mais do que algumas transas ardentes.

Ela quer viver um relacionamento sério, para valer. Ela quer se casar, ter filhos, constituir uma família. E para ela pouco importa que Dan já tenha uma. Empreenderá uma feroz perseguição para conseguir o que deseja: o que ela considera o amor.

Num primeiro momento, podemos pensar que Alex é uma personagem psicopata pois é capaz de cometer atos hediondos, incluindo homicídio. Porém, Alex não é desprovida de emoções ou capacidade empática. Ela não comete as suas atrocidades friamente. Ela faz sofrer, mas ela sofre também. Imensamente. Profundamente.

Alex, provavelmente, sofre do transtorno de personalidade Borderline. Esta síndrome apresenta o mecanismo oposto à psicopatia. Psicopatas têm baixa ação no cérebro límbico, acarretando numa total falta de compaixão pelas outras pessoas.

Já no transtorno da personalidade Borderline, a ação do cérebro límbico é fortíssima, fazendo com que todas as emoções explodam muito à flor da pele. Tudo é sentido com extrema intensidade, gerando muitos conflitos e sofrimento, pois como o próprio nome da síndrome afirma, a pessoa vive no limite. Limite das emoções.
Porém, não devemos confundir pessoas mais emotivas e sensíveis com portadores desta síndrome.

Os Borderline oscilam de humor bruscamente, de forma bastante evidente e chocante. É um transtorno bem mais comum nas mulheres. Cerca de 75% dos casos são do gênero feminino. Muitos Borderline tentam o suicídio.

Diferentemente da psicopatia pode ser tratada, pois o Borderline sofre muito e apenas quem sofre procura ajuda profissional.

A pessoa não deixará de ser Borderline, mas com a associação de medicamentos e terapia pode conquistar uma boa qualidade de vida.
São traços marcantes desta síndrome a baixa autoestima e a extrema dependência afetiva. Borderlines morrem de medo de serem abandonados e são capazes de grandes humilhações e sacrifícios para manterem laços afetivos.

É relativamente comum mulheres Borderlines se envolverem com homens psicopatas. Os psicopatas sabem tirar proveito da fragilidade das Borderlines.

Outros dois bons exemplos de personagens Borderline são Sussana, de Garota interrompida, interpretada por Winona Ryder e a personagem Bianca, vivida por Letícia Sabatella, na série brasileira Sessão de terapia, dirigida por Selton Mello.

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Sílvia Marques
Profa. doutora , idealizadora da Pós em Cinema do Complexo FMU, escritora e psicanalista. É colunista do site Fãs da Psicanálise.

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