Não é para todo mundo que o sucesso do companheiro é sinal de alegria. Na maioria dos casos é o homem que se sente desconfortável. Talvez porque não estejam, ainda, preparados para lidar com a independência e a autonomia feminina. Ou pior, sintam-se ameaçados por elas. Para a psicóloga Sônia Eustáquia, a mulher independente pode assustar ou não o homem. “Tudo vai depender do seu grau de segurança em relação a si mesmo, pois os homens inseguros podem se sentir ameaçados e confusos diante da independência da mulher, bem como em relação a outros eventos de sua vida”.

O conflito por determinar “quem manda” em um relacionamento foi, por muito tempo, a tônica capaz de manter unidos muitos casais no decorrer da história. Mas, correntes de pensamentos recentes indicam que as relações afetivas tendem a dar mais certo quando há equilíbrio e não pende muito para um lado nem para o outro. ”A igualdade não é apenas ideologicamente desejável, ela tem consequências práticas enormes. Ela afeta o bem-estar dos indivíduos e do relacionamento e promove harmonia e sensibilidade mútuas. A capacidade dos casais de resistir ao estresse, reagir a mudanças e reforçar a saúde e o bem-estar do parceiro depende de terem um equilíbrio de poder relativamente igualitário”, diz a especialista.

Ela ainda explica que todo e qualquer poder associado à vaidade e à competição gera um comportamento maléfico para todos os envolvidos. “O casal que se alegra com o bom desempenho do outro vive melhor e para aqueles que aceitam esta situação, as relações se tornam mais fáceis. Todo mundo ganha quando aposta no crescimento do outro. O bom diálogo é a melhor maneira de conduzir o crescimento e a busca pela igualdade de oportunidades”.

Mulher moderna

Autonomia é um termo de origem grega cujo significado está relacionado com independência, liberdade ou autossuficiência. Na Filosofia, autonomia é um conceito que determina a liberdade do indivíduo em gerir livremente a sua vida, efetuando racionalmente as suas próprias escolhas. A autonomia é um estado que não precisa estar relacionado com o movimento de ruptura com uma ordem anterior de dominação.

Para Sônia, uma mulher autônoma olha o mundo e o que nele existe, sem estar presa aos padrões de comportamento que tanto limitam as pessoas. Tem coragem de ser ela mesma na sua totalidade, e não renuncia a partes do seu eu tentando corresponder ao que dela se espera. “Ela se sente livre para expressar todos os aspectos de sua personalidade, mesmo os considerados masculinos pela nossa cultura, como força, decisão e ousadia. Na relação amorosa, não se preocupa em se submeter às exigências sociais do que é aceito ou não para uma mulher”.

Hoje, cada vez mais mulheres questionam a suposição da nossa cultura de que a verdadeira felicidade se equipara estar envolvida com um homem. Isso já é um bom sinal. Ter ou não um homem ao lado está aos poucos deixando de ser a questão básica da vida. “É esta a mulher de hoje, a que dá conta da vida em todas as suas vicissitudes pessoais, familiares e sociais. São raras as mulheres que vêm o casamento como único plano de futuro. Elas querem ser bem-sucedidas, bancar sua liberdade e isso assusta muito os homens. O jeito é arranjar um meio termo para conseguir se impor sem assustar. A mulher atual quer é um homem seguro, autoconfiante, educado, e que tenha metas e objetivos para a sua vida. Ela precisa de um homem que seja interessante, que se faça presente, valorize a companhia dela e que demonstre que estar ao lado dela é importante”, garantiu Sônia.

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Sônia Eustáquia
Colunista da Revista Atrevida cerca de 6 anos, tem formação e trabalho em Psicanálise e Terapia Ericsoniana. Pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior, Psicologia e Psiquiatria da Infância e Adolescência, Neuropsicologia e Teologia. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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