A minha carreira profissional como jornalista é o argumento perfeito para a extrema curiosidade que tenho aliada com a jornada como psicanalista, que me faz observar o comportamento alheio.

Mas não foi nada disso que me levou à assistir “Cinquenta Tons de Liberdade”. O único livro da trilogia que li foi o primeiro, não tive vontade de ler os outros e nem assisti o segundo filme. Mas, estava no cinema junto de uma sala lotada por mulheres, sem entender direito o que me levou até ali.

O revezamento de suspiros a cada aparição da nudez perfeita do Sr. Grey, exibido nas cenas incríveis de cenários perfeitos em um filme que já tem o início no conhecido Final Feliz, ou seja: casamento e lua de mel, com viagens para vários países, restaurantes e hotéis de luxo.

Realmente o homem dos sonhos pode ser resumido no Sr. Grey: lindo, rico e bom de cama. Bom de cama é pouco, excepcional na cama é a verdade! Anastácia, tem um marido multimilionário, elegante, inteligente, que trabalha muito e que ainda tem tempo de mandar mensagens apaixonadas para a esposa e mais, tem energia de sobra para longas noites de sexo, muito sexo, sexo, sexo, sexo.

Mas prestem atenção, não é apenas sexo, a sutileza está nos detalhes. O Sr. Grey sabe criar ambientes, ele investe em cenários, palavras, gestos, que fazem com que a sua mulher se sinta única e digna daquele clima em que qualquer acrobacia sexual pode ser reverenciada a favor de orgasmos.

Se os homens prestassem atenção nas dicas deste filme conseguiriam entender a mente de uma mulher: ela quer atenção, quer se sentir especial, quer o clima, quer o prazer. Entendam homens: as mulheres gostam que vocês invistam no clima, no clímax.

Mas meninas, tão óbvio quanto entender que não há clímax que resista à vida rotineira, também é inteligente usar o raciocínio para estabelecer a ordem nos sentimentos, o Sr. Grey é um caso de cinema ou vocês passarão a vida buscando esse homem perfeito que apenas existe no lado de lá, no lado da ilusão… ou vocês acham que são diariamente como Anastácia? Jovens, lindas, inteligentes, impecáveis.

Não há perfeição que resista ao dia a dia. E, veja, não há mal nenhum nisso. Para um casal se manter unido é preciso preservar a individualidade. Vejam, não quero acabar com nenhum sonho, vale a pena assistir “Cinquenta tons de liberdade”, com a maturidade de quem sabe separar ilusão de realidade, o que nem sempre é tão simples.

Pense nessa trilogia como um conto de fadas erótico e atual, com nuances entre sexualidade e fantasia. Mas atenção: não se iluda com o Sr. Grey, ele também é homem e homens são todos iguais… ou não?

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Natthalia Paccola
Desde que começou os estudos em Psicanálise e Psicoterapia, a jornalista, bacharel em Direito e mestre em Ciências Naturais pela Unicamp,  Natthalia Paccola levanta uma premissa sobre a sua vida profissional: nunca aceitaria rótulos ou doutrinas acadêmicas. Mas é claro que sofre influências de vários pensadores.Sua grande fonte de inspiração como autoridade em levar Luz para o Bem através de mídias sociais, no entanto,  tem sido os seus próprios seguidores, cerca de 10 milhões que passam semanalmente pela sua Fanpage, Grupos, YouTube, Site, Instragram ou Twitter.

2 COMENTÁRIOS

  1. Olá Natthalia!
    Concordo que você é uma estudiosa no assunto e seus comentários vão de encontro ao que todos os dias presenciamos em nossas vidas e relacionamentos. Creio que o meu pensar bate com 90% de vossa análise! Apenas não concordo que todo homem é igual. Criação, preferência sexual, autoanálise e afim moldam o caráter de cada indivíduo. Idade, dissimulação e outras coisas dizem mais sobre cada ser do sexo masculino que colocaste no mesmo balaio. “Homem é Homem”. Vai de encontro ao que a maioria de nós adjetivamos que “Toda mulher gosta de dinheiro”, e alguns ainda colocam que, “tamanho não é documento”, Que eu discordo plenamente. Quanto aos pontos positivos, que foi a maioria, a liberdade, a saída da rotina e a variação do prazer são os destaques de vossa análise que, como disse, concordo em 90%. Excelente semana pra você e parabéns pela iniciativa!

    • Oi Paulo, obrigada pelo carinho e atenção ao seu. Se reparar o após “todo homem é igual” eu coloquei um “ou não?”, justamente para fomentar uma discussão. Eu, particularmente, concordo com a sua opinião de que nem todos os homens são iguais, alguns podem ser até semelhantes, como também acontece com as mulheres.

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