A comparação é a forma mais rápida de alguém ficar frustrado ou tornar-se arrogante. Se nos comparamos com alguém que julgamos de alguma forma melhor que nós, ficamos frustrados. Se nos comparamos com alguém que acreditamos ser menos do que nós, tornamo-nos de alguma maneira arrogantes e nos julgamos erradamente acima dele.

Este é um dos motivos pelos quais a comparação não é algo a que se deve recorrer para procurarmos sentir-nos melhor. É sempre um risco e não nos ajuda em nada na nossa evolução enquanto pessoas que querem tornar-se melhores seres humanos, sobretudo consigo mesmos, na filosofia muito simples de que só se pode dar aos outros quem se é.

Quem recorre à comparação está a fazer o mesmo que entregar a alguém o poder sobre as suas próximas escolhas. Se nos comparamos, vamos agir não por nós mesmos, mas pelo fato de querer ser igual ou melhor que o outro. Aquilo a que nos vamos entregar é tudo menos aquilo que tem a ver connosco. É algo de que nos socorremos apenas para sentirmos que somos tão bons ou melhores do que a outra pessoa. Esse patamar, que podemos ou não alcançar, não é mais quem somos, mas quem o outro nos levou a ser.

Além do mais, a comparação implica sempre um esforço demasiado grande para qualquer um de nós, precisamente porque nos obriga a ser quem não somos, nem nunca devíamos ser. Onde existe esforço, existe sofrimento. Onde existe sofrimento, existe um caminho onde não vamos aprender nada.

A verdade é que nunca aprendemos quando estamos a sofrer. Só aprendemos quando começamos a sair do sofrimento através da consciencialização daquilo que vivemos antes.

Infelizmente, toda a comparação, mesmo aquela onde ficamos arrogantes por nos acharmos de alguma forma melhores, traz sofrimento, logo não traz crescimento pessoal. A comparação é uma das maneiras mais rápidas de nos fazer sofrer por estupidez. O sofrimento por estupidez é aquele que podemos evitar, mas que somos suficientemente estúpidos para teimar em ficar nele.

O sofrimento por estupidez existe quando estamos numa situação da qual podíamos perfeitamente sair, mas que, por medo da mudança, ficamos e não temos a consciência ou a coragem para sair dele. Por exemplo, estamos num emprego que nos faz sentir desrespeitados, desvalorizados, onde sofremos todos os dias, e não saímos por medo do que podemos vir a perder, por medo do desconhecido. A ideia do desconhecido e de perder algo traz-nos muitas vezes mais medo do que a ideia de continuar a sofrer. Sofrer torna-se preferível a arriscar uma mudança. Este sofrimento já o conhecemos. O outro que pode vir com a mudança, pode também ser bem pior e mais difícil de suportar.

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A comparação só serve a quem não se respeita o suficiente para deixar de fazê-la. Quem se respeita, confia nele e nas suas decisões. Quem se respeita, não precisa se comparar com ninguém, porque não precisa da aprovação, seja de quem for. Por isso, em vez de te comparares com os outros, compara-te apenas contigo mesmo. Não importa quem os outros são ou estão a ser, mas quem foste ontem e quem estás a ser hoje.

Quando olhas para ti ontem e te comparas contigo hoje, duas coisas podem acontecer:
1. Ou te sentes pior
2. Ou te sentes melhor

Em qualquer uma das situações, tens uma clara noção de como te encontras hoje em relação a ontem. O importante é perceberes como estás no momento presente. A comparação contigo próprio é a solução para conseguires o melhor de ti, sendo o melhor de ti aquele estado em que te encontras em harmonia contigo mesmo, com aquilo que fazes, com aquilo que pensas, com aquilo que sentes, com quem estás a ser.

A comparação feita por ti e contigo é a aplicação do teu lado mais inteligente em oposição ao lado mais estúpido daqueles que se comparam com os outros. Na comparação com quem foste ontem, só podes evoluir hoje enquanto pessoa que se respeita acima de seja quem for.

A comparação contigo mesmo é a forma mais simples e leve de cresceres cada vez mais na confiança por quem és e é o modo mais eficaz de não procurares a aprovação dos outros e de te encorajares a continuar com os teus objetivos. Nunca te compares com ninguém a não ser contigo. Só tu te podes conhecer melhor através de ti.

Deixo-te uma frase que tem sido para mim um lema de vida e do meu desenvolvimento pessoal:
“Quando me comparo com os outros, perco sempre o melhor de mim.”

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José Micard Teixeira
José Micard Teixeira é um escritor e coach português nascido em 1961 na cidade de Aveiro (Portugal). É Autor de 6 livros de autoconhecimento e dá palestras e workshops sobre os mais variados temas relacionados com a natureza humana e a sua evolução. Deixou em 2002 um cargo de director geral de empresas para seguir o seu sonho de comunicar com os outros a sua verdade e ajudar as pessoas a se encontrar. Dá consultas de Coaching Pessoal e Profissional via Skype para todo o Mundo. É colunista do site Fãs da Psicanálise.

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