Resolvi colocar algo que penso depois de quase vinte anos de doença entre altos e baixos, mas sempre firme. Meu objetivo é ajudar, lembrando que eu não sou médico. Isso é a minha experiência como portador da mesma.

– O seu filho é esquizofrênico? Ele tem diagnóstico feito por um psiquiatra? Isso é essencial. Até porque a esquizofrenia pode ser confundida com autismo ou mesmo problemas do tipo a idade mental dele ser inferior. Um esquizo não é afetado na inteligência. Ele pode ser afetado na afetividade e mesmo não demonstrar os seus sentimentos. Mas ele tem e muito. Creio que o nome seja embotamento afetivo.

– O seu filho é agressivo? Ele se agride? Se ele é agressivo com você, chame o Samu. “Ah, mas eu tenho pena do meu filho”. Não! Eu sou forte e grande e vivia com mãe e irmã. Em crise tem que chamar o Samu. Teve uma vez que eu mesmo chamei pra mim. Se o seu filho continuar agressivo com você constantemente, o ideal é internar. Você (cuidador) precisa se cuidar. É importante você pensar em você também.

– Cuidador, se cuide! Você faz terapia? Frequenta um grupo físico de apoio? A maioria das mães que eu conheço também ficam com problemas psicológicos. É compreensível. Não esqueça de você, por favor! O amor pelo próximo é importante, mas por si mesmo também.

– O seu filho tem problema espiritual e diz que tem o demônio? Deus é importante, orações são importantes e o seu filho pode ter sim um problema espiritual. Reze para o seu Deus, porém, não abandone a medicação terrena. Não abandone o tratamento médico. Alie os dois, é o ideal. Já namorei uma menina esquizofrênica que quase me matou por tirar minha energia. Entendam “energia” pode ser metafísica ou “energia”/carência que desgasta principalmente o cuidador.

– “Meu filho não quer se tratar”. Calma! Cada um tem seu tempo. Por isso é preciso você se cuidar. Eu demorei quase 6 anos para tomar meus remédios e chegar onde cheguei. Dê carinho ao seu filho e explique sempre com calma. Ajuda de uma terapeuta seria muito importante.

Leia Mais: A Esquizofrenia em mim e seus duplos sentidos

– Haldol ainda é usado, mas tem muitos efeitos colaterais. Não gosto do rispiridona. Uso o olanzapina. Quando comecei a tomar, comia desesperadamente e dormia muito. É normal. Principalmente em doses elevadas. Haldol eu tomava em crise no CAPS quando era levado pelos bombeiros. Era meio um “sossega leão”. Bem, mas cada médico sabe porque receita ele. Com o Olanzapina é uma questão de adaptação. Com o tempo, eu mesmo diminui a dose junto com o meu psiquiatra e o sono foi diminuindo. A fome continua, mas com menos intensidade e a barriga diminui. Acho que dá sede também em doses elevadas. A barriga cresce por isso… Ingestão de água junto com a comida.

Terapia ocupacional é essencial. Seu filho precisa pensar, ter algo pra se ocupar. Ficar comendo e dormindo não dá. No começo é normal, mas não pode continuar assim. Eu não tomo só um remédio. Acredite no “combo” e no seu psiquiatra. Sugestões: música, pintura, teatro…

– Seu filho não é um coitado. Não tenha pena dele! Ele está passando por um momento difícil. Se ele se estabilizar, comece a dar um pouco de responsabilidade a ele. Até com dinheiro mesmo. Ninguém é digno de pena. A gente sente isso. Ficamos mal. Carinho excessivo também é prejudicial.

– A Esquizofrenia tem vários tipos e bifurcam por vários sintomas e alguns complexos. Repito que paciência é muito importante! O sofrimento é importante (como assim?). Quando a tempestade passa, damos mais valor aos momentos bons e se seu filho hoje não gosta do que você faz, tenho certeza que um dia ele vai refletir que tudo é pro bem dele.

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Daniel Velloso
É escritor, estudante de Psicologia e é colunista exclusivo do site Fãs da Psicanálise.

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