Pensar dentro daquilo que agrega segurança e conforto é intitulado de modo pejorativo como “pensar dentro da caixinha” e as pessoas que se sentem bem em permanecerem nessa situação de comodismo recebem a prerrogativa de que estão apegadas a “zonas de conforto”. Cada vez mais é exigido que as relações interpessoais sejam pautadas na dinâmica da criatividade e numa busca incessante por novos horizontes.

A opção por permanecer dentro dos limites do que agrega segurança é o mesmo que dizer que temos medo de novas formas de pensar. Essa justificativa não lhe parece simplista? Este deve ser o principal requisito para estabelecer se uma pessoa é ou não responsável por boas escolhas? E o que são boas escolhas, senão aquelas que trazem bem estar?

Pensando nisso, Meghan Daum escreveu o livro “The Unspeakable: And Other Subjects of Discussion”, onde sugere que aceitemos nossas limitações. “Estou convencida de que a excelência não vem da superação de limitações, mas de abraçá-las”, diz.

O mais interessante é que Meghan parece ir contra ao elogio às pessoas que saem da zona de conforto. Para ela o importante é que o indivíduo perceba os limites da sua zona de conforto ou seja, que ele saiba se o estilo de vida que escolheu contempla atividades que lhe garantam satisfação.

Segundo a autora, a chave para uma vida feliz é viver ao máximo dentro dos limites da sua zona de conforto. “Fique em águas seguras, mas mergulhe o mais profundo possível nelas. Se você é bom em alguma coisa, faça muito essa coisa. Se você é ruim em algo, simplesmente não o faça. Se você não gosta de cozinhar e se recusar a aprender, não se preocupe com isso, pelo contrário, celebre e seja o melhor não cozinheiro que você puder”, explica Meghan.

Pensar “fora da caixinha” não significa fazer coisas que você odeia e sim fazer coisas que não são tão familiares e talvez sejam até um pouco estressantes, mas que lhe trarão novas experiências e com isso novos conhecimentos.

Claro que quando desbravamos algo novo há muitas dificuldades, por isso não devemos exigir perfeição. É muito complicado exigir de alguém que nunca cozinhou um bolo perfeito. Entretanto ter coragem de enfrentar algo que se teme é um grande passo em busca da nossa evolução pessoal. Olhar nos olhos daquilo que causa insegurança pode parecer ameaçador, mas oferece a liberdade de derrotar um monstro terrível que nos amedronta.

Tenho uma amiga que mesmo sabendo dirigir tinha pavor de guiar um carro. Com 18 anos fez a escola preparatória e ficou apta para dirigir, entretanto pensar na ideia de guiar lhe aterrorizava. Aos 19 anos foi chamada para trabalhar em um local bem bacana na cidade vizinha e como era uma zona rural não havia ônibus que a levasse até lá, táxi era muito caro e não conseguiu carona.

Bem, para aceitar o emprego teria que vencer o medo de dirigir. Começou tirando o carro da garagem, uma semana depois deu uma pequena volta no quarteirão, passou para a ida ao mercado, ao banco, para a farmácia e dentro de um mês estava chegando ao novo serviço dirigindo o seu carro.

Esse foi um grande aprendizado de como deixar a zona de conforto, um local cômodo de segurança fácil, para a vivência de novos horizontes, onde no espaço que era habitado pelo medo passou a residir a coragem.

Conhecer os nossos próprios limites nos torna mais conscientes de quem somos, mesmo que aquilo que somos esteja na nossa confortável e segura zona de conforto. Entretanto desbravar novos horizontes e derrotar um medo, nos dá liberdade necessária para conquistar os nossos maiores sonhos e não ficarmos limitados às quatro paredes de uma caixinha.

Você prefere voar alto e ser dirigido por desafios ou permanecer indefeso e frágil diante da vastidão do mundo?

(Fonte: psychcentral)

*Traduzido e adaptado pela equipe Fãs da Psicanálise.

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