Às vezes, esquecem que estar solteiro pode ser opcional. Às vezes, parece que estar com alguém é o objetivo principal, a todo custo. Para mim, a companhia é uma consequência e estar sozinho pode ser uma das melhores maneiras de aprender a amar.
Porque estar sozinho é querer-se. É ter amadurecido o suficiente para perceber que não cabe a qualquer um fazer parte dos seus dias, dos seus sonhos e das suas intimidades.
Não é sobre egoísmo, trata-se sobre entender que algumas pessoas não merecem tudo o que se pode oferecer a elas. É sobre afastar-se sem culpa de quem não cumpre o simples papel de amar.
Então, é sobre amor. É saber abrir a porta apenas para quem vai entrar e cuidar da casa junto, com o mesmo esmero, e não para morar com o ladrão. Porque entrar em um relacionamento apenas por medo da solidão é fugir de si mesmo, como uma tentativa de procurar no outro aquilo que não conseguiu encontrar dentro de si e, ainda, colocar a responsabilidade da sua felicidade nas mãos de outra pessoa.
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Também não é sobre apegar-se à solidão, mas sobre instruir-se a ser sozinho. Significa aprender a comemorar as próprias vitórias e a curar as próprias feridas, saber curtir-se e acariciar-se quando for necessário. É a delícia de perder-se em si mesmo.
Ou seja, se trata sobre conhecer as abundantes formas de ver o mesmo quadro e compreender que, acima de tudo, somos essa metamorfose ambulante de pensamentos, crenças e sentimentos. É sobre autoconhecimento.
Então, não é sobre abandono, porque às vezes se está rodeado de pessoas e ainda assim, é possível sentir a solidão. Também não é sobre liberdade, porque às vezes você pode estar no lugar mais lindo do mundo, sem contas a prestar para ninguém e, ainda assim, sentir-se sufocado.
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Porque estar só nem sempre é sentir-se só, nem tampouco significa sentir liberdade.
Demorei em entender que liberdade não tem nada a ver com estado civil. Significa, simplesmente, estar em paz com as escolhas que são feitas. Da mesma maneira, solidão não tem a ver com estar só ou acompanhado, mas sim sobre apreciar as companhias e as ausências.
Enfim, não se trata sobre desamor, pelo contrário, é sobre colocar o amor acima de tudo. O amor-próprio em primeiro lugar, o amor acima da carência e do apego, o amor na vida, nos dias mais alegres e até nos dias mais murchos.
Então, é sobre felicidade. É sobre poder ser feliz sozinho, no silêncio e no barulho, na companhia de uma multidão e no deserto do seu quarto, nos dias de intenso calor e do nostálgico inverno. É sobre encontrar o sorriso que acalma, dentro de si mesmo.
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Finalmente, estar sozinho não se trata de mostrar ao mundo que não é preciso de ninguém, se trata de aprender a amar e ser feliz sozinho, para que ao chegar a pessoa certa (se chegar), seja possível ser feliz com ela e não por ela.
E que não haja mal algum, caso essa pessoa não apareça.
(Autor: Francisco Galarreta)
(Fonte: antesdasobremesa.wordpress.com)
*Texto publicado com autorização do site
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A SOLIDÃO É UMA FORMA DE AMOR, APARENTE EGOÍSMO, NÃO É, PORQUE NÃO TER OS PÉS NO CHÃO, E, NÃO SONHAR COM O IMPOSSÍVEL.
Até admito que existem pessoas rodeadas com outras que não merecem o seu amor, mas admitir o egoísmo e o individualismo como forma de amor, é simplesmente uma fuga, uma canalização para a inexistência que aquele individuo está vivendo naquele momento.