Um artigo na revista Harvard Business Review, do ex-cirurgião geral Vivek H. Murthy, descreve uma epidemia de solidão generalizada e destrutiva.

Ele escreve: “Durante meus anos cuidando de pacientes, a patologia mais comum que eu via não era doença cardíaca ou diabetes, era solidão. As chances são de você ou alguém que você conhece esteja lutando com a solidão. E isso pode ser um problema sério. A solidão e as conexões sociais fracas estão associadas a uma redução no tempo de vida semelhante à causada por fumar 15 cigarros por dia e até maior do que a associada à obesidade… A solidão também está associada a um maior risco de doença cardiovascular, demência, depressão e ansiedade. No trabalho, a solidão reduz o desempenho das funções, limita a criatividade e prejudica outros aspectos do desempenho, tais como o raciocínio e a tomada de decisões.” (Trabalho e a epidemia de solidão, Harvard Business Review)

Recentemente, foi sugerido que a atenção plena pode ajudar a aliviar a solidão. Talvez possa.

A atenção plena é, em essência, experimentar e estar consciente do momento presente sem julgamentos. A atenção plena e as meditações baseadas neste princípio podem ajudar com a preocupação e ansiedade, bem como com outros desafios emocionais e físicos. Existem alguns estudos que mostram que treinamentos relacionados à atenção plena podem até mesmo ajudar na solidão.

No entanto, acreditamos que o remédio duradouro para a solidão é a conexão: com os outros, consigo mesmo (e da nossa perspectiva, com o Criador). A cultura atual nos ensina que passar tempo sozinho é bom. Não podemos argumentar quanto a isso – todos precisamos de tempo para conhecer a nós mesmos, para meditar, para desenvolver alguma independência e força emocional. Entretanto, esta talvez seja a primeira época na história da humanidade em que as opiniões e costumes vigentes (e não apenas os devotos de ordens religiosas específicas) insistem que viver sozinho é tão saudável quanto viver com os outros.

Naturalmente, o esforço de conviver com os outros, construir relacionamentos e simplesmente “se dar bem” é grande. Relacionamentos são difíceis. Relacionamentos são DIFÍCEIS. Mas isso não significa que eles não valham a pena e que não nos ofereçam um tremendo crescimento, apesar de todos os desafios que apresentam.

Quatro ou cinco anos atrás, duas celebridades se divorciaram e chamaram seu divórcio de “separação consciente”. A ideia era a de que a “separação consciente” era uma alternativa à um desagradável divórcio. Existem razões absolutamente válidas para o divórcio, para acabar com amizades e assim por diante. Existem até razões válidas para não ter contato algum.

Leia Mais: A solidão pela perspectiva psicanalítica

Mas, frequentemente, nos relacionamentos, o foco está no eu. Afinal, a cultura popular nos diz que os relacionamentos existem para nos realizarmos. O problema é que nós não necessariamente definimos o que é realização. Então acabamos pensando que, se o relacionamento nos faz sentir desejados e admirados, isso é realização. Às vezes, porém, a realização profunda pode ser, na verdade, um processo de crescimento pessoal, de construção de caráter e assim por diante.

A fim de ajudar as pessoas em relacionamentos a enxergarem outras coisas além deles mesmos, recomenda-se um foco na outra pessoa e em suas necessidades. Recentemente, um conselheiro matrimonial disse a uma paciente de coaching que ela e o marido precisavam se concentrar no outro em vez de em si mesmos. Mas isso não funcionou. A cliente acabou se sentindo mal e, no final, disse que se sentia uma mártir.

Então, qual deveria ser a ênfase, se não eu ou o outro? Que tal concentrar-se no relacionamento em si? Valorizar um relacionamento no interesse do relacionamento. Fazer mais coisas que fortaleçam o relacionamento, em vez de no interesse da outra pessoa (ou de si mesmo).

Quando o relacionamento se torna o foco, algo inesperado pode acontecer. As habilidades de construção de relacionamento que você aprende podem ser transferidas para outros relacionamentos. Depois de algum tempo, muitas se tornam uma segunda natureza. E relacionamentos de qualidade, amizades reais, parcerias reais se desenvolvem. O antídoto para a solidão é o relacionamento. Podemos querer reavaliar nossa ênfase no eu independente e na autorrealização e fazer a mudança.

(Fonte: psychcentral)
*Traduzido e adaptado por Marcela Jahjah, da equipe Fãs da Psicanálise

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