É certo que os contos de fadas não foram escritos para crianças, mas as diversas adaptações feitas para a infância tornou-os de fundamental importância para a sua formação psicossocial. A criança que ouve contos de fadas tende a identificar-se com um príncipe, princesa ou herói daquele conto e povoa o seu imaginário que passa a criar laços com o mundo real mais resistentes e corajosos. Toda criança devia desde a tenra idade entrar em contato com os contos de fadas, pois eles nos ensinam a vencer os medos e a enfrentarmos o mundo.

Os contos de fadas são tão importantes à criança que chega a curar doenças, medos e traumas, conforme pode ser visto em livros e depoimentos de pais ou responsáveis. Isso porque a criança alia-se ao personagem do conto de fada e entra na história para junto com ele participar do seu enredo até chegar ao sempre final feliz. É esse final feliz dos contos de fadas que encanta a criança, pois ela acredita que tudo terminará bem, que pode acontecer qualquer coisa horrível, mas que o fim sempre será feliz. O final feliz encanta e torna a vida mais suave e alegre, viver fica mais fácil, principalmente nos dias atuais onde as crianças são levadas a tornarem-se adultas muito antes da idade precisa e passam a ter atividades de adultos ainda tão pequeninas.

Os pais e professores que contam contos de fadas às suas crianças proporcionam melhorias às suas vidas, levam as crianças para outros mundos, presenteiam-nas com os poderes mágicos das fadas e a coragem sempre virtuosa dos príncipes, a inocência e a pureza das princesas. Nos contos de fadas são resgatados sentimentos e emoções que estão se perdendo com as novas culturas. É importante que a criança sinta a luta do bem contra o mal e que sempre vença o bem, como nos contos de fadas. Seja na escola, no hospital, no consultório psicológico, em casa, não importa o lugar e, sim, que a criança entre em contato com os contos de fadas desde os seus primeiros anos de idade e que possa viver o seu conto de fada imaginário contando ao mundo as suas ideias. Que a criança possa rabiscar o seu conto de fadas nas paredes da sua vivência e experiência.

Nos contos de fadas temos a maldade, muitas vezes, representada pelos animais, mas isso a criança a partir do seu desenvolvimento acabará percebendo que essa maldade é criada pelas pessoas e que os animais são apenas selvagens. A maldade dos animais chama a atenção de pais e responsáveis para que as crianças possam falar do que acontece com elas, das pessoas ao seu redor, do mundo que as cerca, de como são e agem as pessoas que cuidam delas e de como a criança está vendo o mundo.

A observação do mundo por parte da criança é algo importante e que deve ser levado a sério pelos pais e professores, pois é a partir dessa visão do mundo que a criança traça as suas metas e objetivos, a sua forma de brincar, os seus contatos com os amigos, os cuidados com os animaizinhos domésticos. A maldade que é tão bem representada nos contos de fadas pelos animais deve ser levada em consideração quando a criança entrar em contato com os contos de fadas e começar a falar da sua vida. E é bom que as crianças aprendam desde cedo a falarem de si e tenham curiosidade para conhecer o outro que está ao seu redor.

A criança que gosta dos livros de contos de fadas pode ser salva dos perigos do mundo midiático, pois os seus verdadeiros heróis são bonzinhos e ingênuos o que não vemos muito nas mídias, atualmente. Vivemos num mundo onde não há espaço para a bondade e inocência, a sociedade assumiu o seu papel de individualismo e junto vem o egoísmo.

Os bonzinhos e ingênuos são tachados de tolos e expulsos desse mundo, logo a criança quer tão rapidamente mostrar-se adulta e esperta para não ser chamada de tolinha ou bobinha. É preciso que a criança aprenda a ser príncipe ou princesa desde os primeiros anos de vida para que conserve a sua inocência até a idade certa e não deixe nunca portas abertas a um adulto individualista.

E que todas as crianças sejam felizes para sempre!

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Rosângela Trajano
Rosângela Trajano é licenciada e bacharel em Filosofia com mestrado em literatura, escritora, ilustradora e professora de filosofia para crianças. O que mais gosta de fazer é poetizar para crianças. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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