A crise dos 30 pode acontecer em qualquer idade.

Quando fazemos 30, começamos a nos questionar sobre a vida. Sobre a vida que levamos, sobre a vida que sonhamos e sobre o rumo para o qual ela segue.
Quando fazemos 30 e ouvimos alguém dizendo “eu deveria ter aproveitado mais”, nós respondemos “eu também”… e começamos a falar de todos os “se” da vida.
Quando fazemos 30, ficamos desesperados para ter um imóvel, um patrimônio, algo para deixar para os filhos (ou para os nossos cachorros).

Quando fazemos 30, separamo-nos em dois grupos, os que têm gatos e os que não gostam de gatos.
Quando fazemos 30, passamos a entender o filme Clube da Luta, queremos ler O Alquimista ou qualquer coisa que possa fazer sentido.
Quando fazemos 30, percebemos que usamos nosso tempo de maneira errada e queremos seguir rotinas, às vezes, até compramos uma agenda.
Quando fazemos 30, paramos para pensar no tempo que gastamos trabalhando e nos passa pela cabeça jogar tudo para o alto, vender o carro, e sair do país para curtir a vida, que parece que vai acabar amanhã.

Quando fazemos 30, passamos a nos preocupar com impostos e taxas, passamos a nos preocupar muito com o dinheiro.
Quando fazemos 30, ou vamos a um psicólogo ou pensamos que deveríamos ir.
Quando fazemos 30, passamos a nos preocupar com a idade, principalmente com o nº 31, pois é a idade do tio/tia.
Quando fazemos 30, passamos a ver os erros dos nossos pais. Mas por mais que eles tenham errado, quando fazemos 30, continuamos a amá-los.

Quando fazemos 30, em algum momento, descobrimos que há coisas que dependem de nós, mas há outras coisas que acontecem, que não temos qualquer poder sobre elas. Sentimo-nos impotentes diante das situações.
Quando fazemos 30, passamos a sonhar menos, percebemos que não somos imortais, invencíveis e alguns de nós se acomodam, outros sonham mais baixo, mas continuam a persegui-los.

Quando fazemos 30, pensamos que podemos morrer a qualquer hora e começamos a cuidar da nossa saúde.
Quando fazemos 30, pensamos “eu deveria ter me declarado para ela/ele”.
Quando fazemos 30, em um determinado momento, descobrimos que realmente devíamos ter ignorado tudo o que os outros pensam e feito o que tanto queríamos fazer.

Enfim, quando fazemos 30, nós tememos, arrependemos, ficamos paranoicos, nostálgicos, mas não percebemos tudo o que está acontecendo à nossa volta e tudo o que construímos para chegar até aqui. Quando fazemos 30, nós damos a deixa para que quando fizermos 40 possamos dizer: “Aos 30, deveria ter me preocupado menos, sido mais altruísta e vivido o presente”.

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Willian de Souza e Silva
Funcionário público, graduando em direito, amante da psicologia.


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