Talvez você se sinta irritado regularmente. Você está irritável, mal-humorado e rabugento. Talvez você arrebente (ou queira arrebentar) com todos ao seu redor – porque sua raiva parece um tsunami. Está fadada a colidir com alguma coisa. No entanto, você não sabe porque se sente assim. Não tem ideia do porquê está no limite.

De onde vem essa raiva inexplicável? O que isso significa?

Pode haver muitas causas diferentes. Uma explicação é que você tem limites fracos. Diz sim quando realmente quer dizer não. Faz coisas para os outros que não se sente confortável em fazer. Está constantemente drenado e esgotado.

Mas você pode não fazer a conexão entre uma coisa e outra, diz Julie de Azevedo Hanks, Ph.D, proprietária da Wasatch Family Therapy e autora do livro The Assertiveness Guide for Women: How to Communicate Your Needs, Set Healthy Boundaries, and Transform Your Relationships. “Você pode apenas pensar que as pessoas se aproveitam de você e não perceber que contribui para essa dinâmica. Talvez você não esteja dormindo o suficiente ou esteja se afogando em uma lista de afazeres, o que torna “mais difícil acessar suas habilidades de gestão emocional”, diz Hanks.

Talvez seja depressão. “Parece haver um mal-entendido que a pessoa com depressão chora o tempo todo e não sai da cama.” No entanto, o aumento da irritabilidade é um sintoma comum, diz Hanks.

Talvez seja ansiedade. “Indivíduos com muita ansiedade muitas vezes sentem-se à beira da histeria porque precisam trabalhar excessivamente para controlar seu próprio estado emocional interno.” Assim, quando surge uma situação desafiadora, você pode estar no limite, o que se manifesta como raiva ou pavio curto, ela diz.

A psicoterapeuta clínica Rebecca Wong vê muitos indivíduos e casais que estão com raiva por causa de problemas de relacionamento. Ou seja, eles estão zangados com o cônjuge, filhos, pais, amigos ou colegas de trabalho. Por exemplo, talvez eles estejam com raiva porque se sentem invisíveis ou como se eles não importassem, diz Wong, fundadora do aconselhamento de conectividade.

Talvez você esperasse que seu melhor amigo o apoiasse, mas ele não o fez. Talvez você esperasse que sua esposa ajudasse mais em casa. “Este é o porquê, se esses botões forem pressionados o suficiente, com frequência suficiente, de você cair em um estado de raiva sem nem mesmo saber o porquê.”

A raiva também “decorre do desejo de controlar o que está fora de nós”, diz Michelle Farris, psicoterapeuta de San Jose, Califórnia, que ajuda pessoas a aprender como controlar a raiva e construir relacionamentos saudáveis. Anos atrás, Farris trabalhou com uma jovem que percebeu que se concentrar no que os outros faziam desencadeava sua frustração.

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Às vezes, você pode não se sentir nem um pouco irritado. Em vez disso, suas ações podem ser passivo-agressivas, e você pode se sentir ressentido. Muitos dos pacientes de Hanks que têm “problemas de raiva”, na verdade, não se permitem expressar sua raiva.

Por exemplo, Hanks trabalhou com Cindy (nome fictício), uma mulher em seus 30 anos que parecia alegre e positiva – e exausta. Cindy era uma excelente cuidadora e tinha grande empatia por todos (exceto por ela mesma). Ela tinha dois filhos com deficiência. Seu marido raramente ajudava. Ele se afastava das crianças ou explodia com elas. Cindy trabalhava muito para manter todos felizes.

Uma vez ela entrou em contato com seus pensamentos e sentimentos, percebeu que se sentia irritada por cuidar da maior parte da educação dos filhos sozinha e deixar o marido livrar-se da responsabilidade de interagir com as crianças. Ela também percebeu que abaixo de sua raiva estava a solidão. Ela não se sentia apoiada.

Talvez, como Cindy, você também não esteja em sintonia com seus sentimentos. “A maioria de nós não aprendeu a navegar em nossas emoções“, diz Farris, também autora do livro The 4 Essential Steps To Building Your Confidence.

“Em vez disso, a sociedade nos encoraja a evitar conflitos, ser gentis e dizer sim quando queremos dizer não. Nós combatemos a raiva na maior parte das vezes porque ela ainda é vista como uma emoção tabu”, ela diz.

Tememos que, ao expressar nossa raiva, iremos ferir os sentimentos de alguém, possivelmente perder o controle ou correr o risco de arruinar o relacionamento, diz Farris. No entanto, ela acredita que, quando lidamos com a raiva de forma eficaz, é, na verdade, um presente. “Ela ensina-nos quando algo está errado, quando tomar as medidas apropriadas – ou quando não fazer nada”.

Por exemplo, Cindy administrou sua raiva ao fazer pedidos específicos ao marido, de forma que ela tivesse mais apoio e se sentisse menos sozinha. Já a paciente de Farris redirecionou sua energia para si mesma e aprendeu a dirigir seus próprios pensamentos. “Ela aprendeu a expressar seus sentimentos sem culpa e fazer uma pausa antes de explodir.”

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Farris compartilhou estas sugestões para administrar efetivamente sua raiva:

– Tome consciência dos primeiros sinais de alerta de raiva (que podem ser diferentes para cada um).
– Expresse suas emoções sem culpar a outra pessoa.
– Planeje com antecedência como lidar com situações difíceis.
– Respire fundo para permanecer no presente.
– Observe pensamentos negativos que provocam sua irritação.
– Peça ajuda se estiver com dificuldades.

Faça uma pausa quando uma situação começar a esquentar. Deixe a pessoa saber que você gostaria de continuar a conversa depois que você (ou os dois) se acalmarem.

“A raiva é muitas vezes uma emoção secundária”, diz Hanks. Abaixo da frustração e da irritabilidade, geralmente há uma emoção vulnerável, como a solidão (como no caso de Cindy), tristeza ou medo. E essa emoção geralmente é mais difícil de acessar e expressar, ela diz. Com seus pacientes, Hanks usa a metáfora de que as emoções são um oceano. Ela pede que desenhem a superfície do oceano e escrevam ou desenhem o que estão sentindo. Em seguida, ela pede-lhes para discutir as emoções que possam estar nadando abaixo da superfície.

Lembre-se de que sentimentos de raiva não são o mesmo que comportamentos violentos, diz Hanks. Nós tendemos a usar os termos de forma intercambiável, o que criou o equívoco de que a raiva é “ruim”.

Mais uma vez, a raiva é uma emoção valiosa e vital. “Reconhecer sentimentos de raiva e usar essa consciência para compreender as emoções vulneráveis subjacentes é fundamental para a saúde emocional“.

(Link original: psychcentral)
*Traduzido e adaptado por Marcela Jahjah, da equipe Fãs da Psicanálise

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