Sabe aquela pessoa insaciável? Nunca está contente, reclama constantemente e nada a satisfaz. Mas por que isso? Pois é, você certamente conhece alguém assim. Alguém que talvez tenha certa “boca de jacaré”, que por mais que coma e engula nunca estará satisfeito, uma voracidade sem fim, quer sempre mais e mais.

Não com a comida, mas são pessoas que “engolem”, desejam tudo do seu jeito, não toleram diferenças e por isso sofrem com profunda insatisfação, afinal o outro sempre será um ser fora do nosso controle. Enxergam as pessoas como querem ou quaisquer aspectos da vida, porém a realidade lhes mostra algo diferente e não sabem lidar. São pessoas inaptas a lidar com pessoas e suas subjetividades.

Pensando assim, o que de fato esse ser deseja ou busca? Talvez uma ilusão de completude, impossível, já que de tudo provou e nada, de fato, conseguiu lhe promover a saciedade, ou a plenitude tão buscada.

O que poderia então saciá-la? Talvez sua fome real seja de amor, pois certamente sofreu com faltas muito primitivas em suas relações parentais.

Tenha medo de seres humanos que falam, gritam, discutem e não desejam ser contrariados, pois estes enxergam a vida de modo muito próprio, regidos pela idealização e fantasia, não realidade. Não conseguem então enxergar um ser total, apenas parcial, se relacionam apenas com as partes que convém de cada um. Vivem uma fantasia, amam animais afinal não respondem a altura, seres humanos serão sempre mais difíceis, imprevisíveis e isso causa muita angústia. São pessoas narcisistas, com um gozo muito próprio seja alimentar, masturbatório, egocêntricas, privadas do convívio social. A realidade e a reflexão lhes dói demais.

De acordo com a demanda e a necessidade, que a vida lhes apresentar, o desejo vai se estruturando, assim, por exemplo, se sente fome tem necessidade de comer algo, porém o desejo é de comer tal coisa, correto? Então a necessidade é comer, mas o desejo refina o que se quer de fato ingerir. No fundo o sentimento é fome e qualquer comida conseguiria preencher tal vazio estomacal. Porém, o vazio vai muito além da fome, remete ao prazer de comer. Então se pode pensar que aquele o qual sempre tem o desejo do impossível seria alguém que deseja muito além do necessário, sendo algo fora de seu alcance e realidade. Afinal por que desejar algo tão além das possibilidades?

Viver em busca de algo que se sabe que não terá? Uma lenta morte em vida talvez? Sonhar alto todos podem sonhar, mas quanta energia é demandada para atingir esse impossível. Muitos não medem esforços por suas carreiras, beleza ou outros modos de gozo próprio. São então vítimas de esforços contínuos que nunca chegam a lugar algum. São pessoas eternamente insatisfeitas e que reclamam do que tem, desejam sempre mais, nunca saciados. Há inveja, comparações, agressividade…

O desejo nasce da falta, assim um desejo tão intenso e de algo tão impossível denota uma falta interna imensa, que provavelmente remete a tempos mais primitivos de privações afetivas dos pais. Viver desejando o impossível é viver marcado pelo vazio e insatisfação.

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Mariana Pavani
Psicóloga, estudante de Psicanálise. Colunista do site Fãs da Psicanálise.

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