Nem todas as mulheres estão aptas a serem mães por inúmeros motivos e essa é uma realidade inconveniente.

Uma reflexão cada vez mais vem à tona sobre o papel da mulher: será ela naturalmente apta a ser mãe? Quando se descobre uma gravidez, uma série de mudanças ocorre, sendo comum o questionamento: Serei ou não mãe deste bebê? O aborto, apesar de não legalizado, é uma realidade que não podemos fechar os olhos.

Talvez a gravidez seja algo tão mais complexo que nossa vã filosofia e ditados populares. Ser mãe é ser devota ao filho, viver preocupações intensas, ter desejos e angústias imensas. Um bebê nasce tão frágil e precisa de muitos cuidados para que possa se desenvolver e lentamente crescer rumo à independência. Quando se diz que ser mãe é padecer no paraíso, pode-se pensar sobre as inúmeras responsabilidades que o papel acarreta.

Nem todas as mulheres estão aptas a serem mães por inúmeros motivos e essa é uma realidade inconveniente. Afinal não seria a mulher um ser naturalmente maternal? Ter esse instinto e aptidão?

A realidade atual mostra uma mulher a qual pode decidir entre ser ou não ser mãe, a cada dia menos imposta a obrigação de exercer tal papel. Ser mãe é muito mais do que estar grávida e dar à luz, mas desenvolver, criar um vínculo com esse bebê de afeto e cuidado, desde o momento em que se pensa sobre a gravidez. Se este amor pelo filho for marcado pela ausência, vazio, ou prolongado luto marcado pela inaptidão desta mãe, este sentimento não se sustentará.

Certamente a concepção sobre a maternidade mudou bastante ao longo do tempo. Séculos atrás a relação mãe-bebê era marcada por certa indiferença, talvez porque não houvesse segurança sobre a sobrevivência do bebê, já que a mortalidade infantil era bastante alta e comum. Seria uma defesa não se apegar aos filhos? Ser mãe também remete a reviver a condição de ser filha e nem sempre se há registros bons. Se o amor é baseado na repetição de modelos parentais, ser mãe remete a repetir o amor que foi recebido, porém e se não houve registros satisfatórios?

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Há que se pensar sobre a visão do amor materno a qual foi bastante modificada ao longo dos anos, contudo essa visão da mãe ter uma aptidão inata a desenvolver o papel soa equivocada, já que como todo amor, há também muitas falhas em seus atos e modos de cuidar.

A gravidez é algo bastante complexo para a mulher, tanto às mães de primeira viagem como àquelas que já tiveram outros filhos. O momento em que se engravida, a relação com o pai da criança, cenário socioeconômico, saúde mental da mulher, entre outros inúmeros fatores influenciam demais na relação com a gravidez e com o bebê. Uma mãe nunca é igual para os filhos, pois cada relação é muito singular e envolve uma série de subjetividades. Existe uma necessidade da mulher em ser acolhida e apoiada pelo par, família e quem quer que a cerque. Homens também vivem diversas emoções ao saber que serão pais e não há como negligenciar isso.

Na sociedade atual as mulheres têm uma série de tarefas que muitas vezes as atrapalham em vivenciar a gravidez, como trabalho, profissão, afazeres domésticos, entre outros. Durante a gravidez, mãe e bebê são uma unidade, dentro dela o bebê tem tudo o que precisa para sobreviver, enquanto ela deve cuidar da saúde para lhe fornecer o melhor – saúde física e mental.

(Imagem: Chema Photo)

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Mariana Pavani
Psicóloga, estudante de Psicanálise. Colunista do site Fãs da Psicanálise.

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