Vivemos em um mundo no qual o tempo é a cada dia mais valioso, com tantos afazeres que muitas vezes impedem a vivência do real desejo, com tantos compromissos para serem cumpridos, com tantas informações que precisam ser lembradas ou minimamente conhecidas, com tantos excessos que acabamos vivendo em uma eterna falta, em um eterno vazio, e por fim, nos esquecemos de tudo.

Esquecemos, pois para lembrar-se é preciso decorar, mas não o decorar aprendido na escola, nas aulas de matemática em que decorávamos a tabuada do sete, ou a fórmula de bhaskara, mas decorar no sentido original da palavra, no sentido de “guardar no coração”, “guardar na memória”, ou simplesmente recordar.

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“Cor” tem sua origem no latim, e corresponde a coração. Antigamente se pensava que o coração era o órgão da memória. Nem o coração, nem o cérebro: é o amor o elemento que eterniza o que realmente é fundamental.

Às vezes é preciso retornar ao que é essência, diminuir o ritmo, parar de racionalizar e trazer poesia para a vida, interpretar a realidade simplesmente de modo mais mítico, poético, metafórico. É assim que através dos elementos afetivos necessários, conseguiremos transformá-los em algo como trilhos que viabilizarão a passagem do vagão de experiência até o cofre das memórias não perdidas.

É uma equação muito simples, vivência + amor = experiência afetiva imortalizada. É assim que músicas, palavras, sons, cheiros, e sabores marcam momentos inesquecíveis, com pessoas especiais. É assim que a memória é fortalecida, e é por este motivo que a afetividade deve ser o componente essencial para toda aprendizagem, e o caminho para o preenchimento do livro de uma vida com significados irredutíveis, marcados acima de tudo pelo amor.

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Havendo a marca do amor, poderemos deixar a cargo de nossa memória sem o medo que será apagado.

Assim como disse Rubem Alves: “Aquilo que está escrito no coração não necessita de agendas porque a gente não esquece. O que a memória ama fica eterno. Se preciso de agenda é porque não está no coração. Não é o meu desejo. É o desejo de um outro”.

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João Paulo Zerbinati
Psicólogo Clínico de Orientação Psicanalítica, atendendo em Itápolis-SP. Graduado pela PUC-Campinas. Mestrando pela Faculdade de Ciências e Letras, UNESP-Araraquara. Membro do grupo de pesquisa SexualidadeVida USP\CNPq. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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