O primeiro Museu da Empatia do mundo esteve em Londres no dia 4 de Setembro de 2015 como parte do Thames Festival, que levou atrações diversas para a capital inglesa. Nesse museu, uma exposição itinerante internacional, os visitantes encontraram um espaço onde puderam se colocar no lugar de outras pessoas e ver o mundo através dos olhos delas.

O objetivo foi desenvolver a empatia e criar uma revolução global através das relações humanas.

Uma pesquisa científica revelou que 98% das pessoas tem a habilidade de criar empatia mas são poucas as que conseguem alcançar o potencial completo.

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Funciona assim: o visitante diz o tamanho do sapato ou pede uma sugestão de história para as organizadores. A pessoa então precisa vestir os calçados dessa pessoa, disponíveis em uma estante (em uma alusão à expressão inglesa in your shoes que literalmente significa “nos seus sapatos” mas cujo significado real é estar no lugar de alguém) e andar por uma milha neles (pouco mais de um quilômetro e meio).

E enquanto caminha nos pés de outra pessoa, o visitante escutará um áudio em um pequeno ipod suffle com a história dela, como se fosse uma conversa com alguém que não está lá e vai descrever o mundo segundo a própria visão.

Quando visitei o espaço, os sapatos do meu tamanho, bem enlamaçados, pertenciam a um arqueólogo que explicou muitas curiosidades sobre o rio Tâmisa e que revelou ter decidido estudar história porque tinha sido adotado e sentia falta de ter uma história própria.

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Pedi para escutar outras e em um par bem acima do meu número descobri uma história incrível de um homem que sofreu um golpe e foi preso por tráfico de heroína – e depois de sair da cadeia e ser inocentado só pensava em vingança. Mas ele então fez um curso de arte e decidiu se dedicar a isso para canalizar a sua raiva e acabou levando outros ex-presidiários a fazer o mesmo. Um deles era um tipo durão e agressivo que acabou revelando uma paixão por desenhar personagens da Disney.

Em outra surpresa, um par de salto altos pertence na verdade a um homem que faz um bingo semanal como drag queen. E o mais interessante de tudo: a seleção é feita dentro de uma caixa de sapatos gigante.

Considerando que a incapacidade das pessoas de enxergar o ponto de vista alheio e de considerar as experiências e sentimentos dos outros é a raiz do preconceito, conflitos sociais e desigualdade, os criadores do projeto consideram que empatia é o antídoto perfeito.

Baseado nas ideias do pensador cultural Roman Krznaric, o museu quis transformar a forma como as pessoas olham para mundo e para si mesmas, através de vídeos que também foram disponibilizados em uma versão digital online do lugar.

O espaço virtual  também incluiu críticas de filmes e livros que ajudaram as pessoas a enxergar outras experiências e abrir a mente para a empatia, de crianças que crescem no Teerão até alguém que nasceu cego ou um soldado lutando em uma guerra.

Fonte: O Globo
Autor: Philippe Ladvocat
*adaptação livre Fãs da Psicanálise
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