Sempre tive dificuldade em entender uma coisa: Nem tudo que vem é com intenção de ficar. Pois algumas coisas só chegaram para passar um tempo na minha vida, para me marcar, cuidar e ensinar, para logo depois alçar voou e ir para longe.

Mas uma coisa que ninguém me explicou foi a capacidade de suportar o abandono, e nem me disseram como superar a dor de ser substituído. Por mais normal que seja ser deixado até hoje não me acostumei e acho que nunca irei.

Porque no começo de toda relação eu me preservo até demais. Me escondo, me protejo, deixo apenas algumas partes minhas virem á tona e com o tempo vou observando se a pessoa merece ver além, se ela é de confiança e não irá rir ou julgar os meus jeitos, defeitos e erros. Ainda mais que não sou alguém fácil de conviver e logo depois de um tempo curto comigo a pessoa pode ir, então para evitar a dor de uma partida repentina eu me encolho e faço dos meus braços minha armadura em volta do meu peito.

E quando a pessoa vai vencendo minhas desconfianças, vai mostrando que é daquele tipo que ama mais ouvir que falar, que tem um coração grande que me caberá lá dentro, vou me abrindo mais, deixando que veja aquele lado que escondo do mundo e explicando alguns dos traumas que me fizeram ser assim tão preservada.

Então quando vou percebendo que meus extremos não assustam, e que meus abismos e precipícios não parecem drama para a pessoa, eu solto aquele ar que estava preso e digo que foi maravilhoso ter essa chance de conhecer alguém tão especial.

É tão lindo ver que nosso riso pode entrar em harmonia com outro, que dois corações que já sofreram antes podem se juntar, complementar e torcer um pelo outro. Vai até adquirindo manias, expressões, planos e vontades, vai andando lado a lado de alguém que tem sonhos parecidos com os seus e te apoia quando quer fazer o impossível. O mais incrível ainda é saber que tem alguém ali disposto a ouvir teus relatos e não te condenar, mas ouvir com paciência e buscar te dar os melhores conselhos.

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O triste é ver tudo isso desmoronar. Ás vezes são brigas bobas, palavras mal dias, segredos não revelados, pessoas novas que surgem e vão separando o inseparável, e em alguns casos é a distancia física e emocional que vai afastando aos poucos e quando se percebe já acabou o que tinham.

E dói no peito, aperta, arde, sufoca. Quer chorar e se sente culpado, quer voltar e não tem coragem, quer gritar e tem medo de parecer louco. Tudo porque você amava aquela companhia no seu dia, poder desabafar, rir, cantar, dançar, e ser feliz, ser triste, ser depressivo, ser maluco, sem a pessoa te deixar por essas coisas.

Por isso dói tanto porque sabe que a pessoa é insubstituível e que você vai continuar se lembrando dela o resto de sua vida, e a dor vai diminuir com o tempo, porém ela não some, apenas é anestesiada por novas companhias.

E aqui entra o ato de se humilhar um pouco, deixar de lado aquilo que chama de ego, de dignidade e ir atrás correndo o risco de alguém bater a porta na sua cara. Mas tem que ir, tem que tentar de novo, porque é absurda a ideia de deixar para lá alguém que te marcou, que te fez feliz em tantos momentos e agora tratar toda a relação como lixo descartável.

Corre mesmo, vai lá, dê a cara ao tapa, pelo menos daqui um tempo poderá olhar para trás e dizer a si mesmo que fez tudo que podia para reatar. Conte como a relação significava para você, seja sincero e desabafe seu medo de ficar só, mas principalmente o medo de estar numa multidão e essa pessoa não estar ao seu lado segurando sua mão.

Por favor, não deixe o amor ir embora sem lutar por ele. Seja amor de mãe, pai, irmão, tio, primo. Seja amor de namorado, noivo, marido. Seja amor de melhor amigo, colega de sala e vizinho. Mas não deixe ir sem entrar na batalha para recuperar. O seu coração vai te agradecer por tentar.

Além de que a pior solidão é aquela causada pelo orgulho, quando você deixa ir porque não pode perder uma parte de si mesmo. Por isso tudo prefiro ser a pessoa dita como sem amor próprio do que aquela que conhecida como o ser mais orgulho e sozinho desse planeta, porque eu sei o quanto dói estar só e saber que causou isso a si mesmo por motivos idiotas.

Assim, irei tentar, entrar em batalhas, me ferir em espinhos, mas nunca, nunca mesmo, deixarei alguém ir sem que eu tivesse a chance de dar um último adeus e pedir para que fique mais um pouquinho.

Via nossa página parceira:  Tempo de Amor
Autor: Tatielle Katluryn

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