“Compositor de destinos… Tambor de todos os ritmos… Tempo tempo tempo tempo… Entro num acordo contigo… Tempo tempo tempo tempo…” (Oração ao Tempo / Maria Gadú)

Interessante como nos tempos atuais as pessoas dizem a todo momento que não possuem tempo, pois este está totalmente preenchido com os afazeres do cotidiano.

Impressionante como muitas e muitas vezes deixamos de fazer algo que realmente gostaríamos devido à falta de tempo, pois estamos sempre com pressa e nossas agendas estão sempre atoladas de compromissos “inadiáveis”.

Infelizmente, não dispomos mais do tão precioso tempo livre para fazermos o que realmente deixaria nossa alma feliz.

No meu trabalho como psicóloga, observo nos pacientes com doenças graves e/ou em processo de finitude que o que eles mais gostariam era de ter tido mais tempo livre na vida.

Um par de vezes a resposta é sempre a mesma – “como eu gostaria de ter tido mais tempo junto à minha família” – “como eu gostaria de ter trabalhado menos e aproveitado mais a vida” – “como eu gostaria de voltar no tempo e fazer várias coisas diferentes”.

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Neste momento será preciso olharmos de frente para as escolhas que fizemos ao longo da vida e nos apoderarmos delas para que possamos ressignificar a nossa própria existência.

Infelizmente, a falta de tempo – ou seja, a sobrecarga e o excesso de tarefas – pode causar graves problemas de saúde, tais como dores musculares, dor de cabeça, distúrbios do sono, problemas gastrointestinais e muitos de ordem emocionais – ansiedade, angústia, preocupação e depressão. Muitas vezes o nosso corpo nos emite um sinal para nos alertar de que precisamos desacelerar para podermos continuar a caminhada.

O Instituto Oncoguia de São Paulo – que vem prestando à sociedade brasileira serviços de extrema importância e relevância no que tange à informação dos direitos dos pacientes com câncer e prevenção da doença – lançou uma campanha intitulada “Por Mais Tempo”.

Esta campanha visa mostrar à sociedade a realidade enfrentada pelas mulheres com câncer de mama metastático. O objetivo central é que toda mulher com câncer de mama metastático tenha acesso ao tratamento adequado, principalmente se ela estiver sendo atendida no sistema público de saúde (SUS), pois esta ação pode proporcionar mais tempo de vida às pacientes.

O site do Instituto oferece uma petição que pode ser assinada online (www.pormaistempo.com.br) e que será endereçada ao Ministério da Saúde pela incorporação de novos medicamentos para câncer de mama metastático no Sistema Único de Saúde (SUS).

A campanha traz uma série de vídeos com depoimentos de pessoas – entre elas artistas e pacientes – que falam sobre o que gostariam de fazer se tivessem mais tempo.

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Entre os desejos estão: olhar para o mar, dar mais risadas, respirar com calma, estar com a família, assistir ao casamento da filha…. Enfim, fica evidente que o que elas querem são as coisas mais simples, logo são as coisas simples que realmente têm significado.

Uma das tarefas mais árduas é encontrar o equilíbrio para dar conta das nossas tarefas e vivermos momentos de plenitude que fazem a vida valer a pena.

Na minha lida no hospital aprendi com meus pacientes que precisamos olhar para dentro de nós e por muitas vezes precisamos parar e avaliar o que realmente estamos fazendo com o nosso tempo.

Será que estamos fazendo coisas que realmente gostamos? Será que estamos vivendo ou sobrevivendo?

Eu penso que, não precisamos ficar doentes para fazermos estas perguntas.

Pare por um instante, respire, permita-se um momento livre – isto fará bem para a sua saúde física e mental – e, sempre que possível, escolha aquilo que faz bem para sua alma.

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Nazaré Jacobucci
Psicóloga Especialista em Psicologia Hospitalar e Luto, Member of British Psychological Society. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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