Depois de algum tempo refletindo um pouco sobre tudo, depois que terminei de escrever meu livro onde conto como a faxina e a organização me tiraram da morte e me trouxeram à vida, entrei em um processo muito profundo de reflexão que me consumiu muita energia.

Mas porquê se a vida é tão boa e o essencial é tão simples?

Acredito que minha missão na mídia não seja mais levar soluções para a casa das pessoas, ainda que isso me faça muito feliz e continuarei compartilhando os tesouros escondidos.

A organização é libertadora. Ela cura, salva, facilita, mas ela pode ser traiçoeira também. É isso mesmo! Ela pode escravizar, deprimir e frustrar.

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Depois de 15 anos organizando lares, aprendi que nada nessa vida é estático. A organização traz mais liberdade sim e isso é inegável, aumenta a qualidade do tempo sim, traz mais saúde sim, traz autoconhecimento sim! Mas ela não é fundamental, porque a organização é um meio, e não o fim.

Muitas vezes a gente se confunde: vou me organizar e agora vou sentar e esperar os benefícios, e isso é um engano, uma mentira. As fatalidades da vida acontecem, doenças, desequilíbrios financeiros, perdas, ganhos, enfim, as surpresas da vida. Isso desorganiza tudo o que tão meticulosamente organizamos, desestrutura tudo.

Vou te contar um segredo… Depois de anos organizando casas, ensinando e vivendo, posso te dizer que não existem 10 passos, nem 15 nem 50 passos para se organizar. Existe sim o viver cada dia!

Fazer agora o que tenho energia e entusiasmo para fazer, porque não sei se amanhã terei um pilar da casa internado com uma doença ou precisarei ser esse pilar. Não sei se ficarei grávida, não sei se perderei alguém da família… do futuro, nada sabemos! Sei de agora, sei também que posso fazer do agora um momento muito agradável para o futuro, porém sem esperar nada dele.

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A organização é um meio de ser feliz sim, é uma saída sim, mas não a forma fundamental e eu não invisto mais todas as minhas fichas nela. Sabe porquê?

A vida passou rápido demais e eu perdi tempo demais limpando janelas que ainda permanecem sujas.

Eu não acreditava que nossa cabeça mudava depois dos 40 e tomei na tarraqueta. Me enganei.

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Muda e muito! Agora, por exemplo, estou vendo bolacha do Leo em cima do sofá toda demolida. Vou limpar sim, mas depois que eu escrever esse texto, depois que eu tomar um suco que me espera e depois que eu tomar um banho bem demorado. Aí sim vou limpar a sujeira! Porque se o fim chegar, vai me encontrar com o estômago cheio e cheirosa e o meu pequeno sabendo que o ato dele foi somente um descuido, mas não foi motivo de desentendimento e nem de intolerância.

E isso tem valido a pena na minha vida. A organização vai continuar sendo minha chave mestra, mas ela no lugar dela e eu no meu. Porque tudo anda correndo demais e estamos perdendo a chance de olhar pela janelas e ver a beleza da paisagem.

(Autora: Tati Godoy)
(Fonte: tatigodoy.com.br)
*Texto publicado com autorização da autora

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