Nunca vou entender por que é que tem gente que entorta o nariz quando o assunto é paixão. Já ouvi até gente qualificada dizer que não faz bem.

Não sei quem qualificou essa pessoa, mas o fato é que ser psico-isso ou psico-aquilo não dá salvo conduto a ninguém, muito menos quer dizer que não se possa ir contra a opinião deles. Pode sim! Há gente boa e ruim em todas as profissões. E não existe opinião certa ou errada, existe opinião diferente.

Isso posto, sigamos em frente. Sou daqueles que pensam que a paixão é um dos combustíveis principais que movem o mundo. Em todos os sentidos, em todas as áreas da vida. A ponto de, se eu fosse um tipo de psico-celebridade, afirmaria com todas as letras que sem a paixão correndo nas veias a pessoa já morreu, ainda que esteja viva.

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Não dá para viver sem ela. Sinto pelos que morrem de medo de se apaixonar, chego a temer por eles, pois a vida dessa gente deve ser muito sem graça.

Dirão alguns: A paixão é um sentimento passageiro. É um sentimento que nos descontrola. É um sentimento quase irracional. É diferente do amor… e por aí vai.

Pois é, infelizmente há quem “pense” desse modo. Mas é evidente que empreguei o “pensar” em sentido figurado.

Discordo de quem diz que é um sentimento passageiro. Prefiro imaginar que seja um sentimento cíclico. A paixão vai e volta. E não estou falando só em caso de substituição do objeto dessa paixão.

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Em outras palavras, há momentos em que estamos mais ou menos apaixonados pela mesma coisa, pela mesma pessoa. Ou não?

Dizer que é um sentimento passageiro não é, portanto, um bom argumento, isso em meu entendimento, que fique claro. Passageiro é algo que passa. Paixão não passa, ela pode diminuir sua intensidade, mas não passa assim do jeito que as pessoas falam. E se levarmos para o campo filosófico do conceito da paixão, aí esse argumento se perde ainda mais.

Um ser que é apaixonado por natureza, sempre tentará viver e reviver esse sentimento, podendo lutar para que esses ciclos sejam menores ou substituindo o objeto de sua paixão com mais frequência. Nada de errado com isso, até porque, meu caros, ninguém tem nada a ver com o modo que o outro toca sua vida, ou tem? Não, não tem!

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E outra coisa, tudo nessa vida acaba, certo? Absolutamente tudo, até a vida. Não tem cabimento buscarmos a eternidade tendo consciência disso.

Há até quem diga que a paixão nos faz sofrer. Esse argumento nem vou rebater de tão infantil que é. Desculpe, mas até se você comer 200 potes de Nutella você vai sofrer, portanto… achar que vai passar pela vida sem sofrer é mesmo infantil.

Sobre o descontrole que a paixão provoca, digo que é bom justamente por isso. Claro, sei que hoje em dia isso é difícil, mas tentemos fazer uso do bom senso: Estou falando aqui em linha gerais e não dos excessos, ok? Preciso desenhar porque o que tem que psico-chatos-arrogantes-literais-donos-da-verdade por aí…

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Assim sendo, em linha gerais é bom, faz bem perdermos o controle de vez em quando, que seja para descobrir quais são os nossos limites. Aquela perguntinha acompanhada de “Gifs” divertidos que roda por aí nas redes sociais: Quem nunca?

É gostosa aquela sensação de descontrole, aquela angústia que a paixão chega a provocar em nós. Faz com que a gente se sinta vivo, sei lá…

E querem saber, que seja um sentimento quase irracional. Quem disse que somos animais racionais? Bem, alguém disse, mas isso sucinta ainda mais dúvidas. Seres racionais não fariam nem metade do que os seres humanos fazem. Bora lá aprofundar um pouco nossos pensamentos, gente.

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Sobre o fato da paixão ser diferente do amor, é tão óbvio que não cabe nem um tipo de argumentação e sim fazer uma pergunta: Quem é que disse que um sentimento exclui o outro, ou substitui o outro?

Oras bolas, quer dizer que não podemos nos apaixonar por quem amamos? Ah, façam-me o favor… quem falou essa bobagem? Dá uma vasculhada aí na sua vida e veja se isso faz sentido. Na minha não faz. Sou apaixonado por muitas coisas ou pessoas que amo. E amo ser apaixonado por elas…

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Marcelo Mello
Coach Pessoal e Empresarial, Consultor de Negócios, palestrante e escritor. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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