Antes de negociar a compra de seu carro, a advogada paulista Maitê Rios, 30 anos, gastou um bom tempo em frente ao espelho. Escolheu um vestido provocante, um salto alto e caprichou na maquiagem.

Toda essa produção ajudaria no flerte com o vendedor para conseguir um desconto generoso. “Deu super certo! Ele abriu mão de parte de sua comissão e me deu um abatimento de quase R$ 10 mil”, conta Maitê.

“Foi simples: joguei um charminho, falei meio sussurrado, fiz a linha ‘donzela desamparada’… Infalível!”, diverte-se a advogada, sacudindo a cabeleira ruiva que encantou o rapaz da concessionária.

No dia a dia, ela costuma recorrer ao mesmo tipo de estratégia: seja para que o fiscal do aeroporto faça vista grossa ao seu excesso de bagagem, seja apenas para rea­firmar a autoestima. Ganhando um drinque do barman gato no balcão, por exemplo. Maitê não esconde: é viciada em seduzir.

“Gosto de conquistar os homens. Quero que pensem que passar um tempo comigo será a coisa mais incrível que já lhes aconteceu”, diz. “Às vezes nem percebo que faço isso. Outro dia, estava apenas conversando com um cara na balada e pensaram que eu estava paquerando. É porque jogo o cabelo demais, olho nos olhos, fico tocando no braço…”

Você certamente conhece uma mulher como Maitê, que entra em estado de alerta quando uma presença masculina se aproxima. Ou talvez até seja uma delas. Segundo o psicanalista Christian Dunker, professor do Instituto de Psicologia da USP, para as mulheres com a “síndrome de Afrodite” (a deusa grega do amor, da beleza e da sexualidade), o jogo da conquista se impõe ao resultado.

“Para as sedutoras costumazes, sentir­‑se desejada é o ganho e elas se contentam com isso”, explica. “Muitas vezes, se vão até o fim para concretizar a atração que despertam, seu prazer desaparece. O que querem é retornar ao momento inaugural e único em que o desejo começa.” Por isso é comum iniciarem flertes, com um colega do escritório ou com o caixa do supermercado, e não levarem nada adiante.

Dunker diz que a conduta das “afrodites” lhes traz problemas. Em especial, com amigas, primas, colegas de trabalho e outras figuras femininas com quem convivem. “Para as sedutoras, as outras mulheres estão sempre competindo com elas. Então, precisam garantir ‘seu lugar’ antes que a ‘rival’ o tome.” No caso, o “lugar” é a atenção dos homens.

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O psicólogo Thiago de Almeida, autor do livro Enigmas do Amor, vai além: diz que a sedução, em muitos casos, é o único recurso que essas garotas têm para se relacionar. “Essa atitude pode vir de uma necessidade inconsciente de estabelecer laços, de ser notada ou cuidada.”

Almeida afirma ainda que esse comportamento também se dá entre os homens. “Mas eles têm apoio social para agirem assim, sendo galinhas ou machistas.”

A empresária paulista Thaís Ribas, 35, conta que sempre chamou muito a atenção masculina. Não necessariamente pela beleza, mas por causa de seu “jeitinho”. “É espontâneo: mexo no cabelo o tempo todo, tenho um bocão e estou sempre sorrindo ou fazendo bico enquanto falo”, diz ela, que no antigo emprego era conhecida como “a Julia Roberts da seguradora”.

Thaís cita um episódio recente para mostrar como o ritual da conquista a diverte. “Estava em um café com uma amiga e um rapaz pediu que eu passasse o açúcar ao meu lado no balcão. Engatei o maior papo com ele, foi uma paquerinha mesmo”, conta. “Não estava nem um pouco a fim, mas me diverti com o fato de ele pensar que eu estava dando mole.”

Mesmo sendo casada há dez anos e mãe de duas meninas, Thaís “brinca de seduzir”. “Quando era solteira, ficava com medo de cair na boca do povo e ser chamada de galinha. Hoje, como sou comprometida, posso flertar à vontade que os outros sabem que é brincadeira”, afirma. “Meu marido não sente ciú­mes. Já me viu jogando charme para o manobrista e deu risada.”

A publicitária paulista Vanessa Aud, 26, uma mestiça de corpo escultural, estilo Sabrina Sato, é outra que sabe de seu magnetismo com os homens. Conta que sempre viveu cercada de amigos e que, muitas vezes, seduz sem se dar conta. Ela exemplifica com um episódio envolvendo o amigo de um ex-namorado.

“Logo depois do rompimento, encontrei esse rapaz. Conversamos e o convidei para treinar comigo na academia. Ele foi e começou a dar em cima de mim, de um jeito insistente.” Ao dispensar o rapaz, Vanessa se surpreendeu. “Ele me disse: ‘Você sempre me azarou, mesmo enquanto namorava. Por que está fazendo isso agora?’.”

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Ao pensar a respeito, a publicitária percebeu que, em algumas ocasiões, não fez lá muita questão de deixar claro se estava ou não paquerando. “Não vejo mal nenhum em olhar, sorrir e bater papo de um jeito sedutor. E não acho que deva mudar”, conta. No entanto, Vanessa, que está namorando há quatro meses, decidiu reavaliar a conduta.

“Meu namorado é um doce, nada ciumento. Mesmo assim, se estou num bar e por acaso meu olhar cruza com o de um cara, desvio na hora. Antes, meu primeiro impulso seria sorrir de volta.” A publicitária lamenta o preconceito que as “afrodites” sofrem. “Quando um homem vê várias garotas bonitas em uma festa, é esperado que ele dê em cima de todas. Por que nós somos condenadas e sofremos críticas até das outras?” Puro machismo.

Fonte: Marie Claire

Autor: Dolores Orosco

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12 COMENTÁRIOS

  1. “Quando um homem vê várias garotas bonitas em uma festa, é esperado que ele dê em cima de todas. Por que nós somos condenadas e sofremos críticas até das outras?” vejam bem, essa visão é equivocada, isso é o “machismo” praticado pela mulher, o atual feminismo extremo idiota, que nada mais é do que utilizar condutas escrotas de homens para justificar suas atitudes escrotas de mulher, pois para mim, mesmo sendo homem, a atitude de um homem que dá em cima de todas as mulheres bonitas em uma festa é desprezível…. E não considero isso normal ou saudável, mas o reflexo do quão doente e deturpada está nossa sociedade…

  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk néee
    usam do feminismo para justificar a buceta interesseira que elas têm
    poucas vezes fazem sexo por amor, mas sim para conseguir o que elas querem
    mediante a libido do outro.Prostitutas na minha opinião, pois, puta não é so aquela que pede 150 pra dar
    mas aquela que faz com qualquer tipo de interesse material e não por amor.
    Ai para não ser taxada de quenga, puta, fala que é feminista e que conhece os seus direitos, vive levando tapa na cara de homem por fazer cornear,e usam de atitudes de homens escrotos para justificar suas atitudes escrotas, lamentável. A promiscuidade nunca foi boa, e quem aplaude está no caminho da tristeza, façam e recebam mediante suas obras. A lei está para punir o homem violento, mas ainda não existe para punir a mulher mentirosa, que causa morte e sofrimento.

    • Não leu o texto, né? E se leu, não soube interpretar. Antes de chamar as pessoas de prostitutas interesseiras, seja um cara decente e aprenda a ler direito, pelo menos!

  3. Pra mim esses exemplos são equivocados para representarem a síndrome de Afrodite, onde mulheres gabam-se de forçarem uma sedução para conquistar seu intento ou serem admiradas. A meu ver essa síndrome têm a ver com mulheres que são sedutoras naturalmente e mesmo sem perceber podem fazer o outro acreditar que elas estão interessadas neles, quanto na verdade elas comportam-se assim sem esforço ou intenções. Acredito que quem realmente sofre com essa síndrome é uma pessoas agradável com todos (sem exceção), gentil, encantadora o que a torna naturalmente sedutora aos olhos dos homens e que por isso acaba atraindo confusões ou más interpretações por parte dos outros. Essas mulheres não demonstram ter um comportamento vulgar como uma das personagens acima descreveu que usou roupas provocantes para ganhar desconto de um vendedor da concessionária e tampouco sorri de volta para homem que cruza olhares com ela, mesmo estando solteira. Elas atraem os homens sem dar qualquer indicio, ou seja, não é pensado e não parte dela nenhuma ação para isto. Por isso discordo da escolha dessas mulheres para serem exemplos da síndrome de Afrodite. Mulheres com essas síndromes, muitas vezes sofrem em seus relacionamentos pelo seu companheiro sentir ciúmes por ela atrair tantos homens mesmo sem ela querer, não conseguem ter amigos homens por muito tempo, ás vezes tem dificuldades de fazer amizade com mulheres casadas ou comprometidas, pois muitas acreditam que ela é uma ameça ao seu relacionamento, despertando inveja e ciúme e não são necessariamente interesseiras, porque sabem que tudo tem seu preço, ninguém ganha um desconto a toa e a mulher que sofre com essa síndrome de Afrodite, acredita que ela vai ser cobrada por tal “gentileza”, por isso é sempre desconfiada quando recebem algum tipo de agrado generoso. Bem, essa é a minha visão, esses exemplos, vão me desculpar são mulheres extremamente vulgares e inseguras que precisam usar de forma intencional o corpo e a sedução para se sentirem bem e até diria que elas são complexadas por usar esses artifícios de maneira tão vulgar e exacerbada.

  4. Pra mim esses exemplos são equivocados para representarem a síndrome de Afrodite, onde mulheres gabam-se de forçarem uma sedução para conquistar seu intento ou serem admiradas. A meu ver essa síndrome tem a ver com mulheres que são sedutoras naturalmente e mesmo sem perceber podem fazer o outro acreditar que elas estão interessadas neles, quanto na verdade elas comportam-se assim sem esforço ou intenções. Acredito que quem realmente sofre com essa síndrome é uma pessoas agradável com todos (sem exceção), gentil, encantadora o que a torna naturalmente sedutora aos olhos dos homens e que por isso acaba atraindo confusões ou más interpretações por parte dos outros. Essas mulheres não demonstram ter um comportamento vulgar como uma das personagens acima descreveu que usou roupas provocantes para ganhar desconto de um vendedor da concessionária e tampouco sorri de volta para homem que cruza olhares com ela, mesmo estando solteira. Elas atraem os homens sem dar qualquer indicio, ou seja, não é pensado e não parte dela nenhuma ação para isto. Por isso discordo da escolha dessas mulheres para serem exemplos da síndrome de Afrodite. Mulheres com essas síndromes, muitas vezes sofrem em seus relacionamentos pelo seu companheiro sentir ciúmes por ela atrair tantos homens mesmo sem ela querer, não conseguem ter amigos homens por muito tempo, ás vezes tem dificuldades de fazer amizade com mulheres casadas ou comprometidas, pois muitas acreditam que ela é uma ameaça ao seu relacionamento, despertando inveja e ciúme e não são necessariamente interesseiras, porque sabem que tudo tem seu preço, ninguém ganha um desconto a toa e a mulher que sofre com essa síndrome de Afrodite, acredita que ela vai ser cobrada por tal “gentileza”, por isso é sempre desconfiada quando recebem algum tipo de agrado generoso. Bem, essa é a minha visão, esses exemplos, vão me desculpar, são mulheres extremamente vulgares e inseguras que precisam usar de forma intencional o corpo e a sedução para se sentirem bem e até diria que elas são complexadas por usar esses artifícios de maneira tão vulgar e exacerbada.

  5. Safadeza agora é “Afrodite”, resumindo, ne?
    O homem diz logo “sou safado” e pronto. A mulher justifica dizendo-se ter o mesmo direito de se comportar como tal, mas o nome nesse caso é “Afrodite”? Kkkkkkkkkkk lamentável!

    • Penso de uma maneira diferente, concordo com mts aqui mas penso o seguinte…que todo mundo devia ir se foder e parar de mimimi pq mulher que é assim é pq falta algo para se sentir completa, rs! E se falta algo pra isso acontecer é pq ela não está tão feliz qnt gostaria. Apenas isso. As pessoas tendem a ter uma visão mt conturbada e extremista demais né galera? Vamos relaxar e ver as coisas com mais empatia, conversar e amar uns aos outros como a si mesmo. Vlws, fui 😬😍😘

      • Puxa, de todos os comentários esse foi o mais nonsense que eu li. Primeiro manda todo mundo se f… e depois diz que as pessoas precisam ter mais empatia e amar uns aos outros (vai entender?!?). Agressividade gratuita não mudará a opinião alheia, só fará o outro achar que está mais certo. E se quiser mandar eu me f…, tomar naquele lugar ou eu ir pra pqp, tudo bem! Só manifestei a minha humilde opinião.

  6. Mulher nunca quis ter direitos iguais. O que elas sempre quiseram e infelizmente conseguiram, com a dita “revolução feminina” foram se tornar Homens também.
    Uma coisa é aspirar ter liberdade. Outra é invejar a posição do outro.

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