Esse tema dói um pouco, principalmente em nós que temos o hábito de organizar as roupas, sapatos, acessórios e enxovais das pessoas. Já faz parte da nossa rotina incentivar as pessoas a desapegarem daquilo que elas não usam há muito tempo.
Desapego é uma coisa e renovação é outra. Não dá para confundir.
Gosto sempre de falar primeiro de mim, por eu ser meu próprio laboratório. Depois venho aqui e exponho minha opinião, até mesmo porque falar é fácil, mas dar vida a teoria é outra história, bem mais complicada.
Fale para uma pessoa com sobrepeso que ela precisa ser mais comedida na alimentação e praticar exercícios aeróbicos com frequência. Uma coisa é você expor um plano de dieta e exercícios, outra coisa é você praticar.
Fale para um acumulador de coisas (não pense que essa expressão é só para aqueles programas de TV americanos. Se você acumula qualquer coisa que não precise você também é um acumulador) que ele precisa desapegar, passar para frente aquilo que não é mais útil… Caramba, é difícil demais!
Estratégias do Desapego
1 – Você vai ter que convencer a pessoa ou você mesmo que aquele objeto não é mais necessário. Isso é uma tarefa complicada, porque o acumulador sempre acha que um dia aquilo vai ser útil.
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Quem lembra daquela calça da marca Transport? Pois é… dia desses convenci uma amiga a se desfazer dela. Foi como subir o Monte Everest de biquíni e com o guarda-chuva aberto. Ela tinha todos os motivos para guardar aquela calça, primeiro porque que a calça funcionava como um molde para ela saber se estava magra ou não; segundo porque a calça era da época das festas da agropecuária e ela tinha sido muito feliz nesses dias e queria recordá-los.
Um objeto precisa fazer você tomar jeito e perder uns quilinhos? Se é assim que realmente funciona, então guardemos todas as calcas Transport do planeta. Se ela precisa recordar como foi feliz, ok, você me convenceu.
A mudança ocorre de dentro para fora. Engano achar que provar uma calça é incentivo para perda de peso, mesmo porque se não houver uma mudança interna, o peso volta.
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Outra coisa… porque não ser feliz de novo com essa roupa que você está usando agora? A alegria e a felicidade vem de dentro, da alma, e não da materialidade.
Os acontecimentos servem sim para recordar, então vista sua calça, tire uma foto e coloque em um porta-retrato. Ocupa menos espaço, você consegue se ver magra, lembra de como foi feliz na época e o melhor de tudo: não pega poeira.
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Complexo né… preciso te persuadir. Abrindo mão das coisas materiais, a nossa busca da verdadeira essência é mais profunda.
Voltamos lá nas profundezas do nosso eu, sem precisar de um talismã. Maravilha se isso acontecer, pois aí sim a mudança se torna autêntica.
2 – Desapegar é viver sem a dependência ou compromisso daquilo, é afastar-se. Na verdade, é libertar-se. Porque somos tão apegados assim? Tenho razões profundas para te contar e lembre-se: onde tem excesso tem bagunça.
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Desapegar é deixar aquilo livre… engano é pensar que renovar o armário é desapego. Sempre deixamos guardada alguma coisa. Faça a experiência de tirar coisas do armários e não substituir por nada mais, deixar aquela lacuna vazia, sem nada. Como é difícil! Mas uma coisa eu te digo: é libertador.
Quando desapegamos das coisas materiais com facilidade, temos grandes chances de sermos mais livres, e quem é mais livre é mais feliz.
Com certeza, desapegar sentimentos é tarefa árdua. Perdoar e aceitar é mais fácil quando exercitamos o desapego primeiro com as coisas materiais. É um processo que leva dias, às vezes meses e até anos.
Mas, quando você chegar ao fim da vida e olhar para aquele chinelinho ao lado da cama, como aquele de nossos avós, e pensar que esse chinelinho é que é confortável, você vai dar sentido a vida e verá que ficou somente com aquilo que realmente foi útil.
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Você verá que não perdeu tempo da sua vida, foi dono das coisas e dono da vida…
Quando guardamos e acumulamos, elegemos como nosso tutor os bens materiais e não nossos sentimentos, aqueles guardadinhos bem lá no fundo do nosso coração… aquele sentimento que nos faz sorrir assim do nada e de repente, sempre que damos vida a ele, a alegria retorna novamente.
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