O cérebro muda com o passar dos anos. O cérebro de um recém-nascido, por exemplo, não é muito menor que o de um adulto, mas tem muito mais neurônios.

O problema é que esses neurônios não são completamente funcionais, já que não estão muito conectados uns aos outros. À medida que crescemos e aprendemos, os neurônios vão se conectando e produzem processos graduais de poda sináptica, o que significa que muitos neurônios morrem, quase a metade, mas aqueles que já fazem parte do que poderíamos chamar de “vias neuronais” são fortalecidos.

Ainda assim, isso não significa que perdemos os neurônios para sempre. Graças à neurogênese, novas células nervosas crescem em nosso cérebro. Obviamente, a taxa de neurogênese diminui com a passagem do tempo. Estima-se que, ao atingir a terceira idade, ela já tenha diminuído em 25%. No entanto, o cérebro não envelhece da mesma maneira em homens e mulheres.

Existem diferenças funcionais no cérebro de homens e mulheres

Embora não se possa falar de um cérebro “feminino” ou “masculino” propriamente dito, sabemos que existem algumas diferenças na maneira como o cérebro dos homens e mulheres trabalham. Isso foi confirmado por um estudo realizado na Universidade da Califórnia com base em mais de 46.000 exames cerebrais.

Esses neurocientistas descobriram que os cérebros das mulheres são mais ativos em duas regiões: as zonas límbicas, relacionadas a emoções e humores, e o córtex pré-frontal, ligado à tomada de decisões, à solução de problemas e ao planejamento de comportamentos complexos. No caso dos homens, as áreas mais ativas do cérebro eram o centro visual e de coordenação. No entanto, as diferenças não param por aí. Também se percebeu que o cérebro dos homens envelhece mais rápido.

O cérebro masculino envelhece antes

Outra equipe de neurocientistas, desta vez da Universidade de Edimburgo, descobriu que há uma espécie de calendário genético que controla a maneira como nosso cérebro muda ao longo da vida.

Para identificar esse calendário genético do cérebro, eles analisaram a expressão gênica em amostras de tecido cerebral em todos os estágios da vida humana, desde o desenvolvimento no útero até os 78 anos de idade. Assim, eles descobriram que há um padrão ao longo da vida. De fato, a maioria das mudanças na expressão gênica do cérebro foi completada na meia-idade.

Este calendário genético controla como e quando os genes são expressos no cérebro durante os diferentes estágios da vida de uma pessoa, a fim de realizar uma série de funções essenciais. Na verdade, o calendário genético é tão preciso que permite prever a idade de uma pessoa apenas analisando os genes encontrados em uma amostra de tecido cerebral.

E o mais curioso é que este calendário genético do envelhecimento cerebral é atrasado ligeiramente nas mulheres, comparado com o dos homens. Isso significa que o cérebro masculino envelhece mais rapidamente. De fato, outro estudo realizado na Universidade de Szeged descobriu que as estruturas subcorticais do cérebro masculino envelhecem mais rapidamente, o que pode explicar por que os homens são mais suscetíveis ao desenvolvimento de doenças neurológicas, como o mal de Parkinson.

Fontes: Amen, D. G. et. Al. (2017) Gender-Based Cerebral Perfusion Differences in 46,034 Functional Neuroimaging Scans. J Alzheimers Dis; 60(2): 605-614.
Skene, N. G. et. Al. (2017) A genomic lifespan program that reorganises the young adult brain is targeted in schizophrenia. eLife;6: e17915.
Király, A. et. Al. (2016) Male brain ages faster: the age and gender dependence of subcortical volumes. Brain Imaging and Behavior; 10(3): 901-910.

(Link original: rinconpsicologia)
*Tradução e adaptação por Marcela Jahjah, da equipe Fãs da Psicanálise

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