Emoções negativas podem ter efeitos positivos. Cada emoção negativa serve a um propósito importante. Por exemplo, a raiva nos energiza e nos diz quando alguém ultrapassou nossos limites. A tristeza nos ajuda a parar e refletir sobre nossos valores. A inveja nos mostra o que queremos.

Um dos maiores mitos sobre as emoções negativas é que elas são inerentemente problemáticas.

As emoções negativas só se tornam problemáticas quando as usamos de maneiras problemáticas – como quando nos autossabotamos. Muitas vezes nem percebemos que estamos nos sabotando. Estamos simplesmente no meio das nossas emoções. Por isso, é essencial parar, respirar e observar e examinar as ações que estamos realizando.

Em seu livro mais recente The Healthy Mind Toolkit: Simple Strategies to Get Out of Your Own Way and Enjoy Your Life, Alice Boyes, Ph.D, compartilha um excelente resumo de exemplos de comportamentos de autossabotagem, com maneiras mais positivas de agir.

Por exemplo, quando estamos sozinhos, escreve Boyes, podemos nos tornar desconfiados dos outros e esperar que nos rejeitem. Maneiras mais positivas de agir incluem: buscar relações e interações significativas, até mesmo em uma conversa amigável com estranhos; fazer sozinho mais atividades que você realmente goste e aprender a desfrutar da sua própria companhia; e participar de mais atividades sociais nas quais você pode conhecer pessoas que compartilham seus gostos e valores (por exemplo, grupos de corrida, clube do livro, grupos de defesa de direitos, etc).

Quando temos inveja, podemos acabar evitando pessoas que desencadeiam esses sentimentos em nós. Podemos não colaborar com (ou contratar) pessoas que vemos como mais bem-sucedidas ou produtivas. Podemos fazer comentários passivo-agressivos. Podemos tentar desesperadamente manter um padrão social que não condiz com nossa realidade e gastar um dinheiro que não temos.

Em vez disso, Boyes observa que é mais útil apoiar os outros e aprender com eles. Pergunte a si mesmo: “Quais são as estratégias que os torna bem-sucedidos?”. Além disso, reflita se você realmente deseja o que eles têm. Aquele trabalho novo e maravilhoso pode vir com responsabilidades maiores, mais horas de trabalho e mais de viagens para fora do estado ou do país. Boyes também nos lembra de fazer uma verificação da realidade, porque você pode estar vendo apenas um lado da história – somente os sucessos de alguém e não seus desafios ou fracassos.

Leia Mais: Encarando a autossabotagem – 3 lições práticas

Quando sentimos arrependimento, podemos ficar presos à autocrítica. Podemos nos repreender e relembrar a situação como um disco ruim no modo repetição. Podemos ficar remoendo o fato: “Eu deveria ter feito… Por que eu não fiz isso? O que há de errado comigo? Como eu pude ser tão idiota?” Podemos estar tão concentrados em ruminar nossos erros e corrigir nossas falhas que perdemos o aprendizado de qualquer lição. Falhamos em seguir em frente.

Boyes enfatiza a importância de identificar as lições que precisamos aprender e colocá-las em termos comportamentais: você não ligou para a polícia quando viu uma pessoa que estava agindo de forma suspeita e depois descobriu que seu vizinho foi assaltado. Você decide que, no futuro, fará alguma coisa sempre que o assunto for segurança, mesmo que acabe sendo um alarme falso. Você também adiciona o número da polícia ao seu telefone (facilitando a realização de chamadas).

Você pode achar útil pensar em como você normalmente reage quando surgem diferentes emoções negativas. O que você costuma fazer quando está ansioso ou com raiva? O que você costuma fazer quando sente inveja ou arrependimento? O que você costuma fazer quando está triste ou solitário?

Se suas ações não forem úteis nesses momentos, pense no que você poderia fazer em uma próxima vez. Reflita sobre atitudes apoiadoras que você pode tomar, porque nossas emoções negativas não precisam levar a um comportamento negativo e autodestrutivo.

Honre suas emoções e honre a si mesmo, tendo atitudes úteis, compassivas e cuidadosas.

(Link original: psychcentral)
*Traduzido e adaptado por Marcela Jahjah, da equipe Fãs da Psicanálise

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