Um olhar sobre a quietude excessiva…

As pessoas mais introvertidas e caladas costumam passar despercebidas, talvez porque não estejam incomodando nem contribuindo ao ambiente. Mas já pensou quanto pode caber nesse silêncio? O que será que se passa ali?

Quando você se depara com alguém muito calado, o qual tudo aguenta e nada diz, preocupe-se! Nascemos para ser sujeitos de nossa própria vida, alguns acabam sendo espectadores, outros parecem nem ter entrado na cena da realidade.

Há pessoas que realmente têm uma postura mais introvertida, meticulosa e tímida. De qualquer modo o silêncio promove crescimento, contudo silêncio é diferente do mutismo, ou passividade constante diante das situações da realidade. Seria um traço da personalidade falar pouco ou um sinal de desvitalização?

Muitos podem ser realmente pessoas introvertidas, as quais demoram um pouco mais para se abrir, ou simplesmente pensam demais antes de falar, observam bastante. Entretanto, há pessoas que diante de frustrações intensas, desistem de falar expor o que pensam, assim escutam, engolem, guardam e isso é bastante patológico, afinal é como uma panela de pressão, pode explodir.

Pensar numa vida em que se vive na verdade a morte é uma dor devastadora. Podemos pensar como exemplo, nas crianças que não brincam nem demonstram curiosidade, assim como adultos que vivem muito reclusos, marcados por uma falta de expressão total.

Quem nunca ouviu algum noticiário falando sobre “alguém tão bonzinho, tão quietinho, não sei como cometeu um crime”. Pois é, quem muito cala, não coloca em palavras, não organiza, não reflete, uma hora adoece. Nestes casos, o adoecimento do corpo talvez seria uma chance de mostrar ao indivíduo que ele precisa de ajuda, não está sendo capaz de lidar com tamanha dor.

Parece então que somatizar seria uma esperança de recuperação, afinal se o pensamento for doença haverá também o pensamento cura.

Cada um tem os seus modos de adoecer, seja por somatizações físicas, problemáticas psíquicas ou talvez atos de delinquência e crime. Todas essas formas são modos de chamar atenção para aquele indivíduo que tanto sofre e precisa de uma escuta atenta.

Preste atenção em você e em quem o cerca. Ausência de doença aparente não é sinal de saúde.

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Mariana Pavani
Psicóloga, estudante de Psicanálise. Colunista do site Fãs da Psicanálise.


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