Na contemporaneidade, tudo que sai minimamente de uma norma estatística já é considerado sintoma, doença, anomalia.

Dessa maneira, muitas vezes a tristeza vira sinônimo de depressão; a alegria é mania; agitação é TDAH; criatividade é perversão, e assim querem criar a cada novo dia, novos nomes para poder colocar em caixinhas do saber os nossos sentimentos, momentos, e em última análise a própria complexidade e fluidez humana.

Complementarmente a tais discursos, podemos intervir em um nível muito além de apontar, nomear, ou tratar apenas enquanto sintoma e doença.

Existem abordagens na Psicologia e na Psiquiatria que buscam romper com definições rasas do que é normal e patológico, indo além de simples classificações. Nestas perspectivas, o que parece sobressair é o sofrimento, não importa se é comum ou não, o que importa é se isso de alguma maneira atrapalha o viver criativo.

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É o sofrimento e a queixa do paciente que deve ser compreendida e analisada. Algo como: se sofro por estar triste, devemos procurar a causa dessa tristeza. E além de causas, desvelar o que se pode ser apreendido com essa experiência.

Qual mensagem meu corpo está querendo passar pelo sintoma? Quais palavras estão sendo sufocadas? E qual potencialidade eu posso tirar de tudo isso?

Encarar o sofrimento como uma oportunidade para saúde é revolucionário. Não existe apenas o caminho ruim, mas adoecer pode e deve ser compreendido como uma oportunidade para a saúde. Entretanto essa análise e pensamento nem sempre é fácil de ser acessado, e nesses casos, é fundamental buscar a ajuda de um profissional que analisará e apontará novos caminhos até então escondidos. Auxiliando mudanças em nível psíquico no decorrer do tratamento.

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O ser humano tem uma capacidade de encontrar resposta que venham a validar suas teses. Dessa maneira, se você busca tristeza, encontrará tristeza em toda esquina; se buscar desesperança encontrará ruinas em cada passo; e se diferentemente de tudo isso, buscar alegria, encontrará sorrisos; se buscar vida, encontrará sonhos.

Dentre tantas possibilidades é papel da psicologia ajudar o sujeito em sofrimento encontrar passos que lhe levem para frente, e fazer de toda vivência, aprendizagem para continuar a caminhada.

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João Paulo Zerbinati
Psicólogo Clínico de Orientação Psicanalítica, atendendo em Itápolis-SP. Graduado pela PUC-Campinas. Mestrando pela Faculdade de Ciências e Letras, UNESP-Araraquara. Membro do grupo de pesquisa SexualidadeVida USP\CNPq. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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